A Embraer encerrou 2025 com receita de US$ 7,6 bilhões, a maior da história da companhia, e margem Ebit ajustada de 8,6%. O fluxo de caixa livre, sem considerar a Eve, superou US$ 490 milhões. O desempenho levou a empresa à liderança do setor de veículos e peças no anuário Valor 1000 em 2026.
A companhia entregou 244 aeronaves no ano, alta de 18% sobre o período anterior, com crescimento nas vendas de todas as unidades de negócios. Na aviação executiva, o Phenom 300 liderou as vendas, enquanto os jatos Praetor 500 e 600 ampliaram sua participação no mercado.
Produção e defesa
A demanda por jatos executivos acelerou a expansão industrial em Gavião Peixoto (SP) e Melbourne, na Flórida, nos Estados Unidos. O tempo de produção dos jatos da família Praetor caiu de 18 meses em 2021 para 8,5 meses atualmente, redução de quase 53%.
Na área de defesa e segurança, os principais vetores do resultado foram a procura internacional pelo cargueiro KC-390 Millennium e pela aeronave leve de ataque Super Tucano. A carteira de pedidos terminou 2025 em US$ 4,6 bilhões, crescimento de 10% em relação ao ano anterior. No fim do primeiro semestre de 2026, o valor chegou a US$ 6,1 bilhões, alta de 42% em um ano.
A Embraer informou que enfrentou custos relacionados às tarifas de importação dos Estados Unidos e dificuldades na gestão da cadeia global de suprimentos. As tarifas aplicadas entre abril de 2025 e fevereiro deste ano submeteram jatos e peças a uma taxa de 10%. O impacto total foi de US$ 75 milhões: US$ 66 milhões na aviação executiva e US$ 9 milhões em serviços e suporte.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a primeira rodada de tarifas. No fim de fevereiro, o governo americano criou uma nova tarifa global de 10% sobre produtos importados, mas a aviação ficou fora da medida e voltou a ter alíquota zerada.
Investimentos e projeções
A Embraer investirá US$ 70 milhões na nova unidade de serviços e suporte em Fort Worth, no Texas. A expectativa é ampliar a capacidade de atendimento em 53% até 2027. Na aviação comercial, o E175 mantém ritmo de vendas nos Estados Unidos.
Para 2026, a companhia projeta receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, margem Ebit ajustada entre 10% e 10,6% e fluxo de caixa livre, sem a Eve, de US$ 400 milhões ou mais. A previsão de entregas é de 80 a 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos.
No segundo trimestre, foram entregues 65 aeronaves, o maior número para o período nos últimos 16 anos. As entregas cresceram 5% na aviação comercial e 18% na executiva. A receita líquida atingiu US$ 2,24 bilhões, avanço de 23% na comparação anual, enquanto a margem Ebit ajustada ficou em 10,6%. A carteira de pedidos firmes chegou a US$ 34,5 bilhões, alta de 16% e sétimo recorde consecutivo.
Inovação e transição energética
A companhia destina, em média, 5% da receita anual à inovação. Entre 40% e 50% da receita vêm de produtos desenvolvidos nos cinco anos anteriores. Entre as frentes de médio prazo estão satélites, radares e manutenção de turbinas, serviço prestado pela subsidiária OGMA, em Portugal.
A Eve Air Mobility desenvolve um eVTOL, aeronave compacta e 100% elétrica, com capacidade para piloto e quatro passageiros. O projeto começou em 2017 e teve o voo inaugural do protótipo no final do ano passado. A produção será realizada em Taubaté, no interior de São Paulo, e há cerca de três mil pedidos de reserva.
A Embraer estabeleceu a meta de alcançar neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2040. O portfólio atual pode voar com mistura de 50% de SAF, limite permitido pelas autoridades aeronáuticas, e a empresa já realizou testes bem-sucedidos com 100% de SAF em uma aeronave.








