Economia

Empresas médias enfrentam desafios semelhantes no Brasil e nos EUA, afirma pesquisador

Doug Farren aponta regulamentação, inflação, talentos e continuidade dos investimentos como pontos centrais para o crescimento.

Empresas médias enfrentam desafios semelhantes no Brasil e nos EUA, afirma pesquisador

A atração e a retenção de talentos, as condições econômicas e o ambiente regulatório estão entre os principais desafios enfrentados por empresas de médio porte no Brasil e nos Estados Unidos. A avaliação é de Doug Farren, diretor-executivo do National Center for the Middle Market (NCMM), da Universidade de Ohio, que pesquisa o segmento americano há 15 anos.

Farren esteve no Brasil na semana passada para participar da 11ª edição do Fórum Anual das Médias Empresas, realizado pela Fundação Dom Cabral entre os dias 1º e 2º de setembro, em São Paulo. Para ele, as empresas dos dois países têm características e dificuldades semelhantes, especialmente nas áreas de contratação, retenção de profissionais, inflação e regulamentação.

O pesquisador também afirmou que o mercado de médio porte representa uma parcela pequena da economia nos dois países, embora tenha participação significativa na geração de empregos. Nos Estados Unidos, o segmento reúne por volta de 200 mil empresas, com receita anual entre US$ 10 milhões e US$ 1 bilhão. Juntas, elas respondem por um terço do Produto Interno Bruto e dos empregos do setor privado americano, além de gerarem mais de US$ 11 trilhões em receita anual.

No Brasil, as estimativas da Fundação Dom Cabral indicam cerca de 70 mil empresas médias, com faturamento entre R$ 30 milhões e R$ 500 milhões.

Investimento e inovação

Na apresentação feita durante o fórum, Farren destacou quatro características associadas às empresas americanas de alta performance: continuidade nos investimentos, disposição para investir antes do crescimento da receita, inovação ágil e pouca burocracia, além de resiliência diante de choques de mercado. Nesse grupo estão as empresas que crescem 10% ou mais ao ano.

O pesquisador apontou a continuidade dos investimentos como o fator que melhor prevê o crescimento. Os aportes podem ser direcionados a treinamento em tecnologia da informação, inteligência artificial, pessoas e outras áreas do negócio. A avaliação é que as empresas com investimentos consistentes conseguem manter e aperfeiçoar o desempenho mesmo fora de períodos favoráveis.

A inovação, segundo Farren, costuma ocorrer de maneira informal nas empresas médias que mais crescem nos Estados Unidos. Em vez de depender necessariamente de um departamento estruturado de pesquisa e desenvolvimento, muitas decisões surgem de conversas e são tomadas rapidamente. Essa característica permite mudanças de direção mais ágeis do que as observadas em concorrentes ou empresas maiores.

As pesquisas do NCMM indicam que empresas americanas com esse perfil dobraram de tamanho no período posterior à pandemia de Covid 19 e mantiveram o ritmo de expansão sob pressões como juros altos e inflação. As empresas de alto crescimento, que avançam 10% ou mais, registraram forte expansão desde 2021.

Perfis de liderança

Outro estudo apresentado por Farren ouviu 400 executivos C-Levels dos Estados Unidos nos setores de bens de consumo, indústria, construção civil e mercado imobiliário. A pesquisa, publicada no ano passado, analisou decisões relacionadas a crescimento e rentabilidade, custo e qualidade, além de velocidade e precisão.

O levantamento dividiu os executivos em quatro grupos. Os que crescem com disciplina representam 33% da amostra e priorizam o crescimento da receita com foco rigoroso na rentabilidade. Os inovadores centralizados são 32% e buscam expansão por meio de processos centralizados de inovação e contratações em larga escala.

Os protetores de desempenho correspondem a 18% e concentram-se na proteção das margens e na gestão de riscos. Já os aceleradores descentralizados representam 17% e adotam decisões rápidas, descentralizadas e investimentos intensos em inovação.

Para as lideranças de empresas médias no Brasil, Farren recomenda manter, sempre que possível, a regularidade dos investimentos no negócio, na atração de profissionais e na formação das equipes, mesmo quando essa decisão pareça arriscada. Ele também defende uma postura mais firme em relação à inovação, com recursos destinados à inteligência artificial, às pessoas e a outras necessidades das empresas.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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