Uma invasão à Liquid Network levou à retirada de cerca de 4 mil dos 4,2 mil Bitcoins mantidos em uma carteira da rede, gerando um prejuízo estimado em US$ 320 milhões. A operadora informou que interrompeu todas as novas transações enquanto integrantes da federação trabalham para restabelecer o funcionamento normal.
A Liquid Network afirmou que os responsáveis parecem ser hackers white hat, termo usado para identificar invasores que exploram falhas de segurança e costumam devolver os fundos, em alguns casos mediante pagamento. A empresa disse que as carteiras da rede seriam afetadas e pediu desculpas pelos transtornos.
Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital Inc., afirmou na noite de segunda-feira, no horário de Londres, que os invasores devolveram 3.400 Bitcoins. Segundo ele, os hackers aparentemente mantiveram cerca de US$ 47 milhões.
Como ocorreu a retirada
A Liquid informou que os fundos foram movimentados por meio da SideSwap, plataforma de liquidação autorizada a processar transferências da rede. A empresa afirmou que a chave não foi comprometida.
Mensagens que aparentavam ter sido trocadas entre os hackers e a Blockstream foram incorporadas a pequenas transações de Bitcoin, de acordo com dados do rastreador de blockchain Mempool. Nas mensagens, os invasores disseram que devolveriam os ativos após confirmar que a vulnerabilidade havia sido corrigida.
Aneirin Flynn, CEO da empresa de segurança cibernética FailSafe, afirmou que as evidências preliminares apontam para um bug que permitia a emissão de Liquid Bitcoin, também chamado de L-BTC. A Liquid funciona como uma sidechain, rede separada usada por exchanges para agilizar a liquidação de operações. Para isso, emite L-BTC em troca de Bitcoins reais, que ficam bloqueados.
Histórico da rede
Criada em 2018 pela Blockstream Corp., a Liquid é administrada por uma federação com mais de 80 exchanges, empresas de infraestrutura e gestoras de ativos, segundo a própria Blockstream. Entre as usuárias listadas estão BTSE e Bitfinex. A BitMEX, que anunciou o encerramento de suas operações neste mês, também utilizava a rede.
O episódio ocorre após outros ataques envolvendo ativos digitais. Na semana passada, uma plataforma de empréstimos ligada à Crypto.com teve US$ 6 milhões retirados. Em agosto, uma invasão à carteira offline de Bitcoin Coldcard levantou questionamentos sobre o armazenamento do ativo.
Ziqing Ang, chefe de política para a Ásia-Pacífico da TRM Labs, disse que os episódios reforçam a necessidade de fortalecer as salvaguardas da infraestrutura crítica e adotar medidas de segurança em toda a operação.









