APUCARANA — A produção de bonés transformou Apucarana em um polo industrial do norte do Paraná. Reconhecido pela Lei nº 12.285/2010, o município recebeu o título de Capital Nacional do Boné, em uma homenagem à cadeia econômica formada ao longo de décadas.
A lei, publicada em 6 de julho de 2010, concede oficialmente a denominação a Apucarana. O texto também determina sua entrada em vigor. O reconhecimento é honorífico e não estabelece exclusividade comercial para bonés produzidos em outras cidades.
A primeira fábrica de bonés da cidade foi registrada em 1974. Registros municipais associam o início da atividade à produção artesanal de bandanas e tiaras, comercializadas em feiras, exposições e no litoral paranaense. Com o passar do tempo, a atividade incorporou costura, corte, bordado, estamparia, design e fornecimento de insumos.
A especialização também ocorreu em um período de mudanças na economia local, após a perda de força do café. O vestuário, o comércio e os serviços ganharam espaço, enquanto empresas ligadas à produção de bonés passaram a atuar de forma integrada.
Indústria e empregos
Dados divulgados pelo Sebrae Paraná em 2026, com base no Arranjo Produtivo Local, apontam mais de 600 indústrias boneleiras em Apucarana. O levantamento atribui ao município cerca de 80% dos bonés consumidos no mercado brasileiro.
O segmento reúne 7 mil empregos diretos e 9 mil indiretos, segundo a mesma estimativa. A maioria das fábricas é de pequeno porte. Além da costura, a cadeia inclui modelagem, corte, bordado, serigrafia, acabamento, embalagens, transporte e desenvolvimento de marcas.
O APL de Bonés e Vestuário foi formalizado em 2003 para organizar parte da articulação entre empresas, entidades do setor e instituições de apoio. A proximidade entre os negócios facilita a atuação de fornecedores especializados, a contratação de trabalhadores experientes e a troca de serviços.
Projeto de Indicação Geográfica
Em 2026, a Prefeitura, o Sebrae e empresários iniciaram um projeto para estruturar uma possível Indicação Geográfica do Boné de Apucarana. A proposta busca documentar a origem, a tradição e as características do polo para uma futura solicitação de reconhecimento.
Essa iniciativa não se confunde com o título concedido em 2010. A lei federal é uma homenagem oficial ao município, enquanto a Indicação Geográfica pertence ao campo da propriedade industrial e depende de processo próprio. O início do projeto, portanto, não significa que o registro tenha sido concedido.
A atividade também se tornou parte da identidade urbana, com presença em iniciativas educacionais e no monumento conhecido como Bonezão. Apucarana tinha 134.910 habitantes na estimativa do IBGE para 2025.








