Ciência

Pesquisa propõe peneirar solo lunar em busca de sinais de tecnologia extraterrestre

Estudo sugere procurar partículas microscópicas na Lua, mas diferenciação entre resíduos humanos e alienígenas seria um desafio.

Pesquisa propõe peneirar solo lunar em busca de sinais de tecnologia extraterrestre
Foto: Eugene Cernan/Nasa/via The New York Times

Uma missão que recolhesse e analisasse solo da Lua poderia procurar partículas microscópicas produzidas por tecnologias extraterrestres, segundo uma proposta de pesquisadores ligados ao SETI. A equipe sugere começar pelo peneiramento de cerca de 1 metro cúbico de material, em uma tentativa de identificar metais e outras substâncias manufaturadas.

O estudo está em processo de revisão por pares para a revista International Journal of Astrobiology. A hipótese é que estruturas tecnológicas muito avançadas, como naves, instalações de mineração ou grandes conjuntos de painéis solares, também sofreriam desgaste ao longo do tempo. Fragmentos liberados por esse processo poderiam se espalhar pela galáxia e, em alguns casos, alcançar o Sistema Solar.

Partículas e sondas hipotéticas

Os pesquisadores concentraram a análise em grãos na escala de mícrons, comparáveis ao tamanho de uma bactéria. Em referência ao pesquisador ucraniano Alexey V. Arkhipov, que propôs a Lua como possível local de acúmulo de artefatos alienígenas, eles chamaram essas partículas hipotéticas de partículas de Arkhipov.

A equipe também considerou objetos microscópicos enviados de forma intencional, como máquinas de vigilância ou sondas para outras missões. Esses objetos foram batizados de partículas de Bracewell, em homenagem ao físico Ronald Bracewell, que defendeu a possibilidade de sondas alienígenas autônomas.

Lewis Pinault, cientista afiliado ao Instituto SETI, em Mountain View, Califórnia, e pesquisador do Birkbeck College, da Universidade de Londres, liderou a pesquisa. Ele afirmou que, se alguma civilização tecnológica já existiu na galáxia, não seria descabido imaginar a presença de partículas dela na Lua.

Como identificar a origem do material

A eventual descoberta de grãos artificiais não comprovaria, por si só, uma origem extraterrestre. Peças de espaçonaves humanas já caíram na Lua ao longo das décadas, e resíduos microscópicos de missões desativadas também poderiam aparecer nas amostras. A distinção dependeria da análise da assinatura química de cada objeto.

Modelos desenvolvidos por Pinault para localizar objetos artificiais maiores na Lua, como os restos ainda não encontrados do módulo soviético Luna 9, poderiam ser adaptados à busca por partículas pequenas.

Sofia Sheikh, cientista do Instituto SETI especializada em tecnoassinaturas, classificou a proposta como uma linha de investigação criativa e válida. Ela relacionou o interesse renovado pela Lua ao Artemis, programa da Nasa que pretende levar astronautas de volta à superfície lunar, e afirmou que ainda há muito a investigar sobre a deterioração de artefatos tecnológicos.

Jason Wright, professor de astronomia e astrofísica na Universidade Estadual da Pensilvânia e pesquisador do SETI, avaliou o estudo preliminar como impressionante e extremamente minucioso. Ian Crawford, professor de ciência planetária no Birkbeck College, da Universidade de Londres, e coautor do trabalho, disse que procurar produtos tecnológicos de possíveis inteligências alienígenas deveria ser tão válido quanto procurar emissões de rádio.

Os próprios pesquisadores reconhecem que a chance de encontrar uma tecnoassinatura alienígena em uma amostra lunar é muito pequena. Para Crawford, porém, uma confirmação desse tipo indicaria que provavelmente existem muitas outras partículas semelhantes ao longo da história da galáxia. Ele comparou a tarefa à procura de uma agulha no palheiro.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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