Ciência

Nêutrons revelam vasos sanguíneos preservados em costela de T. rex

Imagem tridimensional de uma costela de Scotty identificou tecidos mineralizados sem danificar o fóssil de 66 milhões de anos.

Nêutrons revelam vasos sanguíneos preservados em costela de T. rex
Foto: Sumner Brown Gibbs/ORNL, U.S. Dept. of Energy

Uma costela de Scotty, considerado o maior esqueleto conhecido de Tyrannosaurus rex, preservou uma rede extensa de vasos sanguíneos mineralizados. A estrutura se formou enquanto o dinossauro se recuperava de uma fratura ocorrida há cerca de 66 milhões de anos, mas o animal morreu antes da cicatrização terminar.

A descoberta foi detalhada com imagens produzidas por nêutrons no Oak Ridge National Laboratory (ORNL), nos Estados Unidos. O método permitiu analisar o interior do osso e criar representações tridimensionais sem danificar o fóssil nem os tecidos conservados.

Como os tecidos foram preservados

Scotty tinha cerca de 4 metros de altura nos quadris, aproximadamente 13 metros de comprimento e poderia pesar quase 8,8 toneladas. Os restos foram encontrados por pesquisadores do Royal Saskatchewan Museum no Vale do Rio Frenchman, em Saskatchewan, no Canadá.

A fratura teria provocado a chegada de sangue rico em ferro à área lesionada. Durante a tentativa de recuperação, vasos sanguíneos se desenvolveram na região. Uma possibilidade considerada pelos pesquisadores é que o ferimento tenha acontecido durante uma disputa com outros dinossauros.

Depois da morte, o animal permaneceu em um ambiente pantanoso e salgado. Essas condições reduziram a velocidade da decomposição e ajudaram a manter as estruturas delicadas no osso. O material preservado registra, portanto, um processo de cicatrização que foi interrompido.

Os primeiros sinais dos vasos foram identificados em 2020, quando Jerit Mitchell, da Universidade de Regina, no Canadá, começou a examinar a costela. A equipe usou inicialmente microtomografia computadorizada por raios X e depois combinou radiação síncrotron com microscopia para observar os tecidos em escala celular.

Em abril deste ano, os pesquisadores levaram o material ao laboratório americano e aplicaram a técnica de imagem por nêutrons. Raios X e nêutrons oferecem informações diferentes: os primeiros são mais eficientes para mostrar elementos pesados e estruturas densas, enquanto os nêutrons respondem melhor a elementos leves, sobretudo o hidrogênio.

Instrumentos usados na análise

Dois equipamentos foram empregados no estudo. O Multimodal Advanced Radiography Station (MARS) produz nêutrons frios e foi usado para obter imagens de alta resolução de ossos menores, âmbar e escamas fossilizadas. O Virtual Environment for Neutron Sciences (VENUS), que trabalha com nêutrons de alta energia, permitiu observar regiões internas de amostras maiores, como a costela de Scotty.

Marcella Berg, professora assistente de física da Universidade de Regina, afirmou que os nêutrons confirmaram resultados obtidos com radiação síncrotron e ampliaram a análise da preservação de tecidos moles. Mauricio Barbi, professor de física da mesma universidade, comparou a identificação da rede vascular a “ganhar na loteria”.

A equipe pretende continuar examinando os dados e analisar outros fósseis. Entre os objetivos estão comparar padrões de cicatrização entre espécies e investigar sinais de doenças e lesões preservados em restos fossilizados. O grupo também estuda âmbar, escamas e ossos de outros dinossauros.

Para Mitchell, coleções de fósseis ainda podem conter estruturas não identificadas. “Colocá-los em um síncrotron ou fonte de nêutrons nos permite fazer novas descobertas sobre a vida antiga como nunca antes”, disse.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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