Brasil

Vorcaro atribui doações de 2022 a acordo de propina com Kassab

Propostas de delação rejeitadas por PF e PGR relacionam repasses a campanhas de Bolsonaro e Tarcísio ao Credcesta.

Em delação rejeitada, Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e Tarcísio era propina articulada por Kassab

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que as doações oficiais feitas em 2022 às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas foram parte de um pagamento de propina articulado com Gilberto Kassab, presidente do PSD. A afirmação consta em propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Bolsonaro recebeu R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, seu cunhado, para a disputa pela Presidência. Tarcísio recebeu R$ 3 milhões e foi eleito governador de São Paulo. Kassab passou a ocupar a Secretaria de Governo na gestão estadual.

As propostas foram recusadas porque as autoridades não identificaram fatos inéditos nos relatos. Vorcaro está preso desde março e apresentou três versões de acordo de colaboração. Em junho, foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, após a rejeição da segunda proposta.

Relação com o Credcesta

Segundo o ex-banqueiro, os pagamentos tinham relação com a continuidade do Credcesta, cartão de crédito consignado usado pela rede de empresas ligada ao Master. A operação teria começado durante o governo de João Doria, quando Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, atuava por meio de uma empresa ligada a ele.

O relato afirma que a articulação buscava manter o negócio após a chegada de Tarcísio ao governo, em janeiro de 2023. O suposto acordo previa o pagamento de 5% do resultado líquido das operações com o Credcesta, além de contribuições para campanhas de aliados.

Vorcaro declarou que os repasses ocorreram por dois meios: R$ 5 milhões em doações oficiais para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio e R$ 10 milhões em caixa dois, em espécie, destinados ao PSD. Thiago Botelho teria intermediado as transferências informais.

Kassab negou ter relação com Vorcaro e afirmou que nunca tratou do Credcesta com Augusto Lima ou Thiago Botelho. Ele classificou o relato como “um relato absolutamente fantasioso” e disse que não recebeu valores em espécie.

Tarcísio declarou que nunca teve contato ou relação com Vorcaro, que desconhece o fato mencionado e que sua campanha foi conduzida dentro da lei. Também afirmou que o credenciamento da empresa ligada ao Master ocorreu na gestão anterior. Bolsonaro não respondeu até a publicação das informações.

A possibilidade de uma nova negociação de delação voltou a ser considerada após mais uma mudança na defesa de Vorcaro. Em agosto, o advogado Daniel Bialski passou a integrar a equipe e afirmou que o ex-banqueiro queria colaborar novamente.

Em junho, o ministro André Mendonça afirmou, em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), que não manteria a prisão de Vorcaro com o objetivo de obter uma delação. Pela lei, a colaboração premiada é um meio de obtenção de prova e não pode, sozinha, fundamentar condenações. Os relatos e os materiais apresentados ainda devem ser investigados.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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