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Número de vinícolas cresce em Santa Catarina, mas estrutura limita pequenos produtores

Expansão do setor e do enoturismo aumenta a receita, enquanto custos de hospitalidade dificultam a participação de propriedades menores.

Número de vinícolas cresce em Santa Catarina, mas estrutura limita pequenos produtores

O número de vinícolas em Santa Catarina passou de 263, em 2020, para 339, em 2026, uma alta de 29% em seis anos, segundo a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc). A expansão alcança diferentes regiões, do vinho colonial do oeste ao Goethe do sul, passando pelo Vale do Rio do Peixe e pelos vinhos de altitude da serra catarinense.

Na serra, o enoturismo passou a reunir degustações, almoços harmonizados, piqueniques, hospedagem, eventos de vindima e venda direta ao visitante. Entre 2013 e 2023, as vinícolas associadas à Associação Vinhos de Altitude Produtores e Associados ampliaram a área plantada em 315%, de 74,83 para 235,5 hectares. O faturamento avançou 593%, de R$ 7,55 milhões para R$ 44,81 milhões, enquanto o número de associadas subiu de sete para 28.

O enoturismo respondeu por 38% do faturamento das vinícolas de altitude, o equivalente a R$ 17,04 milhões. Para receber visitantes, porém, os produtores precisam investir em acesso, estacionamento, banheiros, espaços de degustação, equipe treinada, cozinha, comunicação digital e sistema de reservas. A hospedagem eleva ainda mais essa exigência.

Venda direta e concentração de investimentos

O professor de Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Diogo Fillus, estima que o turismo represente de 30% a 40% do faturamento das vinícolas da serra catarinense. Na avaliação dele, a venda direta é decisiva porque elimina intermediários e permite que a vinícola retenha 100% da margem.

A associação estima que a Vindima de altitude, realizada entre março e maio, atraia cerca de 50 mil visitantes para degustações, visitas a vinhedos, almoços harmonizados e eventos nas propriedades. O público é majoritariamente regional, com presença principalmente de visitantes de Florianópolis, Balneário Camboriú, Joinville, Blumenau e Criciúma.

Fillus relaciona essa concentração ao acesso rodoviário e à falta de um aeroporto próximo com receptivo turístico estruturado. Ele também afirma que muitos pequenos produtores não conseguem acompanhar os custos necessários para oferecer hospitalidade. Segundo o professor, a valorização das terras no Planalto Serrano, associada à chegada de condomínios, hotéis e empreendimentos imobiliários, aumenta a pressão sobre quem cultiva uva.

Na avaliação de Fillus, uma nova geração de investidores impulsiona projetos que combinam vinícola, restaurante, hotel, salas de degustação e jantares harmonizados. Para ele, o crescimento do setor está mais concentrado na qualidade da experiência, na hotelaria de luxo, na alta gastronomia e no atendimento capacitado.

Diferenças entre a serra e o Vale do Rio do Peixe

Pinheiro Preto, no Vale do Rio do Peixe, aparece no levantamento da Jucesc com 33 vinícolas, o maior número entre os municípios catarinenses. O município responde por 70% da produção estadual de vinho, mas ainda tem menor participação no turismo de visitação.

A primeira edição da vindima de Pinheiro Preto ocorreu neste ano. Na serra catarinense, a Vindima de altitude chega à 12ª edição consecutiva e reúne 27 vinícolas, com degustações guiadas e passeios pelos vinhedos em municípios como Urubici, Bom Retiro e Lages.

Alan Claumann, gerente de Desenvolvimento Territorial do Sebrae-SC, afirma que o Vale do Rio do Peixe não precisa reproduzir o modelo da serra. Para ele, a região pode desenvolver uma identidade própria, baseada em sua tradição produtiva e voltada a públicos diferentes.

Fillus avalia que o Vale ainda não transformou sua tradição em uma narrativa turística capaz de atrair visitantes. Ele também aponta a distância dos centros emissores, de cerca de 300 quilômetros de Florianópolis e 400 quilômetros de Curitiba, além das diferenças entre as regiões: a serra é especializada em vinhos finos de uvas viníferas, enquanto o Vale mantém participação relevante de uva de mesa e vinho colonial.

Estratégia para pequenos produtores

Para Claumann, a alternativa para as propriedades menores não é tentar alcançar a escala das grandes vinícolas. A proposta é unir produtores e atrativos vizinhos para formar um destino com força suficiente para atrair turistas e sustentar a economia local.

Fillus, por outro lado, considera que o pequeno produtor dificilmente acompanhará o novo padrão de investimentos sem capital. Na visão dele, a disputa por terras com condomínios e resorts dificulta a expansão de quem depende do parreiral, enquanto os projetos de maior porte avançam com estruturas completas de hospitalidade.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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