A empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, afirmou que foi pressionada a considerar uma delação premiada durante a investigação sobre a produção do longa. Ela disse que um advogado e um pastor ofereceram ajuda, mas declarou não ter informações que incriminassem outras pessoas.
Karina foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 10, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração trata de suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados ao filme sobre Jair Bolsonaro.
Em entrevista, a produtora comparou sua situação à de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que fez um acordo de colaboração premiada. “Eu preciso incriminar pessoas”, disse Karina ao descrever como interpretou a condução das investigações. Ela relatou que um advogado ofereceu auxílio para uma eventual delação e mencionou ter bom relacionamento no STF. Depois, um pastor amigo também teria indicado a possibilidade de colaboração e citado pessoas que poderiam ajudá-la.
Karina afirmou que pretende cooperar com as autoridades dentro dos procedimentos legais. Também relatou ter recebido ameaças e disse temer que aspectos de sua vida pessoal sejam associados à investigação.
Recursos e relação com Vorcaro
A empresária negou que o filme tenha recebido dinheiro de emendas parlamentares e rejeitou ter mantido relação direta com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Ela afirmou que o investidor inicial foi o fundo Havengate e que não administrava a estrutura financeira do projeto.
Segundo Karina, sua responsabilidade começava na execução da produção, após a aprovação do projeto e do orçamento. Ela estimou em US$ 13,3 milhões o custo do filme e disse que os recursos eram privados.
Uma delação homologada pelo ministro André Mendonça aponta, porém, sete transferências ao Havengate, que totalizaram US$ 12,3 milhões. Os repasses teriam sido determinados por Vorcaro após pedidos de Flávio Bolsonaro. Karina disse que não tinha a atribuição de verificar a origem do dinheiro e que soube pela imprensa qual empresa teria feito o investimento.
Investigação sobre o instituto
A apuração também alcança o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, por causa de um contrato com a Prefeitura de São Paulo. O instituto recebeu recursos do programa WiFi Livre SP, e a Polícia Civil investiga se parte do valor foi usada em outras finalidades.
Neste domingo, 13, Flávio Dino autorizou o acesso a relatórios de inteligência financeira do Coaf sobre Karina, o ICB e empresas subcontratadas. Ele ainda determinou que celulares, computadores, documentos e dados apreendidos pela Polícia Civil fossem transferidos à Polícia Federal.








