A diplomacia francesa adotará a projeção Eckert IV, criada em 1906, para substituir a de Mercator como principal referência em seus mapas. O modelo escolhido mostra com mais fidelidade as proporções dos continentes e reduz o efeito visual que amplia as regiões próximas aos polos.
A mudança foi anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, durante o evento “La Fabrique de la diplomatie”, realizado na Sorbonne. Para ele, a forma de representar o mundo influencia a percepção sobre a dimensão relativa das áreas. “Um mapa nunca é totalmente neutro”, declarou.
Uma transição iniciada em 2021
A substituição não ocorrerá de uma só vez. O Ministério dos Negócios Estrangeiros começou em 2021 a diminuir o uso da projeção de Mercator, com o objetivo de oferecer uma representação geográfica mais precisa. Os mapas foram progressivamente retirados dos sites públicos da diplomacia francesa.
A pasta também informa que as diferenças entre os modelos cartográficos são discutidas em apresentações com a participação de cartógrafos do ministério, incluindo atividades das Jornadas Europeias do Patrimônio e do Festival Internacional de Geografia de Saint-Dié-des-Vosges.
A projeção de Mercator ainda será mantida em um número limitado de situações, como mapas regionais ou locais de áreas equatoriais e representações voltadas à navegação. Nas escolas francesas, a maior parte dos planisférios também continua usando esse modelo.
Debate internacional sobre os mapas
A decisão francesa ocorre no mesmo período em que a Assembleia Geral das Nações Unidas passou a recomendar uma alternativa baseada na Equal Earth, modelo concebido em 2018. A resolução, patrocinada pelo Togo, recebeu apoio de 164 Estados-membros e incentiva governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas de tecnologia a usar mapas que preservem melhor as proporções das áreas.
A União Africana já havia adotado a Equal Earth em março passado. Os Estados Unidos votaram contra a resolução, enquanto Seis países — Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia — se abstiveram.
O documento não proíbe a projeção de Mercator nem determina um único padrão cartográfico. A França se alinhou à busca por representações mais proporcionais, mas escolheu a Eckert IV, que é próxima da Equal Earth sem ser idêntica. Os dois modelos diferem na forma atribuída aos continentes, embora representem melhor suas dimensões do que Mercator.
A projeção tradicional continua presente em plataformas digitais e mantém utilidade em determinadas finalidades. A decisão francesa, portanto, altera o padrão da diplomacia do país, mas não elimina o modelo de Mercator de todos os mapas.








