A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições da Saxónia-Anhalt provocou respostas opostas entre os partidos de extrema-direita da França. O Reconquête!, de Éric Zemmour, comemorou o resultado, enquanto o Reunião Nacional (RN) evitou manifestações públicas de suas principais lideranças.
A AfD alcançou 43,8% dos votos e ficou à frente da União Democrata-Cristã, partido do chanceler Friedrich Merz, que obteve 17,2%. Marine Le Pen e Jordan Bardella, que fazem campanha para disputar, respectivamente, a Presidência e o cargo de primeiro-ministro da França, não comentaram a eleição após a divulgação dos números.
Distanciamento entre RN e AfD
Bardella havia sido questionado sobre uma possível retomada de vínculos com a legenda alemã durante o Fórum Ambrosetti, realizado na Itália. Na ocasião, afirmou que isso não estava “previsto”, mas reconheceu que a pressão eleitoral exercida pela AfD havia alterado o cenário político do governo de Merz. Ele também mencionou que a Alemanha havia restabelecido controles nas fronteiras alguns meses antes.
Pierre-Romain Thionnet, dirigente do RN e eurodeputado dos Patriots for Europe (PfE), disse que o desempenho da AfD não deveria surpreender. Para ele, o resultado está relacionado a temas que os partidos tradicionais não teriam resolvido, como imigração em massa, perda da identidade nacional e declínio social e industrial.
Thionnet afirmou que a decisão do RN de não ser mais aliado da AfD no Parlamento Europeu continua mantida. Ele citou diferenças em temas históricos e de memória, além de divergências importantes na política externa.
RN e AfD fizeram parte anteriormente do grupo Identidade e Democracia, ao lado da Liga italiana e do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ). A AfD foi excluída em maio de 2024, após polêmicas envolvendo integrantes da legenda. Entre os episódios, esteve uma declaração de Maximilian Krah, então cabeça de lista do partido nas eleições europeias, sobre membros das SS nazis.
Depois das eleições para o Parlamento Europeu, a AfD participou da criação do grupo Europa das Nações Soberanas (ESN), formalizado em julho de 2024. Outro eurodeputado do Patriots for Europe afirmou que nada deve mudar antes das eleições francesas e que os partidos não querem ser associados à AfD, embora mantenham pontos em comum e cooperação em diversos temas.
Reconquête! celebra resultado
A eurodeputada Sarah Knafo classificou o desempenho da AfD como “histórico” em uma publicação na rede X. Éric Zemmour, líder do Reconquête!, chamou o resultado de “a hora da verdade”. Ele afirmou que só em dezembro decidirá se será candidato às presidenciais francesas de 2027.
O Reconquête! integra o mesmo grupo europeu da AfD, o Europa das Nações Soberanas, e mantém posições mais próximas da legenda alemã em temas como a chamada “remigração”. O RN evita adotar esse conceito de forma explícita e apresenta sua política como voltada à expulsão sistemática de imigrantes em situação irregular e de criminosos estrangeiros.
Para Gilles Ivaldi, professor de Ciência Política no Sciences Po Paris, a AfD se expressa de maneira mais radical, enquanto o RN tenta moderar sua imagem para ampliar as chances de Le Pen nas eleições presidenciais. O pesquisador também afirmou que os dois partidos franceses compartilham posições sobre migração, criminalidade e questões relacionadas à Ucrânia e à proximidade entre França e Rússia.
O RN lidera as sondagens citadas no levantamento IPSOS/BVA, com cerca de 34% a 36% dos entrevistados indicando intenção de votar em Le Pen no primeiro turno das presidenciais marcadas para abril de 2027. Nas presidenciais de 2022, Le Pen recebeu 23,15% dos votos, enquanto a direita radical somou 7,07%.








