A Anthropic afirmou que agentes utilizaram o Claude, seu sistema de inteligência artificial, em atividades ligadas ao desenvolvimento de armas, espionagem eletrônica, vigilância, invasões digitais, fraudes e segmentação política. Os casos foram reunidos em um relatório de inteligência de ameaças divulgado ontem.
Aplicações militares
Entre os episódios descritos, um agente sediado na China teria usado o Claude para desenvolver um pacote de guerra eletrônica e supressão de defesa aérea. A simulação incluía 12 alvos em Taiwan, como radares de alerta antecipado, baterias de mísseis Patriot e Tien Kung, bases aéreas e um bunker de comando. A Anthropic disse que as contas estavam ligadas a instituições de pesquisa chinesas, incluindo a Academia de Ciências Militares do Exército Popular de Libertação, e que foram banidas.
Outro agente na China teria empregado o sistema na elaboração de especificações e de software de controle de fogo para um sistema antitorpedos destinado à Marinha chinesa. A proposta técnica tinha mais de 200 páginas e comparava o equipamento com a tecnologia da Marinha dos EUA.
A empresa também relatou o uso do Claude por um agente de inteligência na China para pesquisar armas estrangeiras de microondas de alta potência, seus componentes e fornecedores. O objetivo, segundo a Anthropic, incluía apoiar a engenharia reversa e o desenvolvimento de contramedidas.
No norte do Iêmen, um grupo de agentes teria recorrido ao Claude para desenvolver software destinado a um foguete guiado, um míssil balístico com alcance de mais de 2.000 quilômetros e uma variante que incorporava um veículo de planagem hipersônica. A Anthropic afirmou não ter evidências de que uma arma operacional tenha sido colocada em campo.
A empresa também apontou o provável uso do sistema por agentes independentes na Rússia para criar software de um enxame de drones de ataque autônomos, com orientação terminal, seleção de alvos e coordenação entre aeronaves. Em outro caso, um gerente de compras baseado na Rússia teria usado o Claude para buscar intermediários na China e em Hong Kong e adquirir produtos europeus com possíveis usos militares.
Espionagem e vigilância
A Anthropic afirmou que operadores de língua chinesa, provavelmente baseados em Changsha, utilizaram o Claude em operações digitais contra cerca de 50 organizações, incluindo redes de governos estrangeiros. O grupo teria procurado vulnerabilidades de software, desenvolvido formas de explorá-las e conduzido partes das invasões com supervisão humana limitada.
Também foi identificado um grupo que teria realizado phishing, sequestro de redes Wi-Fi de hotéis e invasões de contas do WhatsApp contra alvos governamentais, militares e diplomáticos da Ucrânia. As técnicas, segundo a empresa, eram consistentes com as do agente de ameaças Midnight Blizzard, associado pelo governo dos EUA ao serviço de inteligência estrangeira russo SVR.
No Irã, um operador ligado ao país teria usado o Claude para analisar informações públicas e elaborar recomendações de alvos contra forças navais dos EUA. O material incluía dados extraídos de fotografias militares públicas, identificadores de transponders de navios e aeronaves e consultas a imagens de satélite comerciais.
A empresa ainda relatou o uso do sistema por agentes ligados à China para compilar informações sobre cardeais católicos, líderes cristãos de Taiwan, budistas tibetanos, dissidentes e ativistas. Em outra operação, o Claude teria automatizado relatórios governamentais sobre uigures, tibetanos, figuras políticas de Taiwan, ativistas trabalhistas e estudantis e a mídia estrangeira.
No Mali, o Claude teria sido usado como principal ferramenta de engenharia do sistema Lakana 360, uma plataforma de vigilância doméstica criada para o serviço de inteligência estatal. O sistema poderia monitorar dados associados a cerca de 25 milhões de cartões SIM das três operadoras de celular do país.
Fraudes, armas biológicas e campanhas políticas
A Anthropic descreveu cinco estudos de caso de pessoas que tentaram usar seus modelos em atividades que poderiam apoiar o desenvolvimento de armas biológicas. Entre as iniciativas estavam pesquisas sobre a modificação do vírus da chikungunya, a gripe aviária altamente patogênica, ortopoxvírus e novos venenos e toxinas não transmissíveis.
A empresa também identificou uma plataforma de vigilância comercial destinada a analisar e traçar perfis de usuários de redes sociais no Irã e na região do Golfo. A conta foi banida antes que a Anthropic encontrasse evidências de uso contra alvos reais em fases posteriores.
Outro operador ligado ao Irã teria criado um sistema automatizado para elaborar perfis de indivíduos de órgãos israelenses e de organizações da diáspora judaica. A Anthropic afirmou ainda ter banido 16 contas operadas por duas unidades ligadas a agências paramilitares e de segurança interna iranianas.
Em uma operação de língua francesa, o Claude teria sido usado para segmentar 42 partidos políticos europeus, veículos de mídia, grupos de estudo e provedores de software como serviço. O sistema teria roubado dados e credenciais e criado uma plataforma de doxxing.
A empresa também informou que uma operação sediada na China desenvolveu mais de 20 aplicativos de namoro com mais de 4.700 personas de inteligência artificial. Esses perfis teriam interagido com pelo menos 25 mil usuários, combinando personagens automatizados e trabalhadores humanos remunerados para convencer os usuários de que as contas eram genuínas.







