A Anthropic atribuiu com alto grau de certeza ao governo dos Emirados Árabes Unidos uma operação que usou inteligência artificial para produzir materiais sobre o Sudão e atingir especialistas da ONU críticos ao suposto papel de Abu Dhabi no conflito. A empresa afirma que a campanha empregou o assistente Claude para criar documentos, publicações em redes sociais e testemunhos.
A operação era organizada em torno de uma personalidade virtual chamada “Deadshot”, que defendia uma ação coordenada contra a Irmandade Muçulmana. O grupo, fundado em 1928 no Egito, é apontado por supostos vínculos com o exército sudanês, acusação negada pela própria força.
Outra frente teria usado a identidade de uma ONG sudanesa e produzido os testemunhos de duas pessoas. A finalidade, segundo a Anthropic, era fazer com que conteúdos favoráveis a um dos lados do conflito chegassem à ONU como relatos de testemunhas locais independentes, e não como manifestações de atores estatais. Também foram preparados expedientes para desacreditar relatores da ONU que criticavam a atuação de Abu Dhabi no Sudão.
Alcance da operação
A Anthropic identificou cerca de 300 contas falsas em redes sociais. A empresa, porém, não conseguiu determinar se os testemunhos e expedientes chegaram aos destinatários ou se influenciaram decisões políticas. As autoridades dos Emirados não responderam de imediato a pedidos de manifestação.
O conflito entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (FAR), iniciado em 2023, provocou mais de 200.000 mortes, segundo trabalhadores humanitários, e deslocou mais de 12 milhões de sudaneses. A ONU considera a situação a mais grave crise humanitária do mundo. Os Emirados Árabes Unidos negam categoricamente as acusações de apoio às FAR e de alimentação do conflito.
Na quinta-feira, a Anthropic informou ter encerrado operações de vigilância patrocinadas por Estados que usavam seus modelos de IA. Os casos, originados na China, no Irã e no oeste da África, foram detectados e interrompidos entre janeiro e julho. A empresa afirmou que governos e grupos alinhados a eles recorrem cada vez mais à IA para espionar minorias e dissidentes.








