Política

Perícia de SP recusou analisar 17 aparelhos ligados ao caso Dark Horse

Equipamentos foram rejeitados por problemas nas embalagens, que poderiam permitir a manipulação de dados, segundo a perita.

Perícia de SP recusou analisar 17 aparelhos ligados ao caso Dark Horse

A perícia de São Paulo recusou analisar ao menos 17 dispositivos apreendidos com a empresária Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), e em empresas que prestavam serviços à entidade. O grupo inclui celulares, notebooks e pen drives.

A perita Viviane Fleitas Menezes apontou problemas nas embalagens plásticas usadas para lacrar os equipamentos. Em um termo referente a 13 aparelhos, ela afirmou que havia espaço para inserir cabos de alimentação e transferência de dados, com possibilidade de alteração das informações armazenadas. Em outro documento, quatro aparelhos foram recusados porque existia espaço suficiente para retirar a peça que seria examinada. Fotos das embalagens foram anexadas ao material enviado à Polícia Civil.

Dois celulares recolhidos em endereços ligados diretamente a Karina estão entre os equipamentos não analisados. Um deles não foi submetido à perícia porque o software disponível não era compatível com o sistema operacional IOS. Um computador também não pôde ser acessado porque tinha conteúdo criptografado.

Suspeitas sobre o programa de wi-fi

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de documentos da investigação neste domingo (13). O caso envolve emendas parlamentares enviadas por deputados do PL para empresas ligadas a Karina e à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse.

Relatório da Polícia Civil de São Paulo registra indícios de desvio de recursos municipais por meio do ICB e suspeitas de que verbas do programa Wi-Fi Livre SP tenham sido usadas para financiar a produção do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação afirma que o instituto recebeu R$ 69 milhões antecipadamente, embora o valor correspondente aos serviços previstos fosse de R$ 43 milhões. A diferença de R$ 26 milhões estaria relacionada a serviços que não teriam sido executados.

O programa previa 5 mil pontos de wi-fi. Ao final de outubro de 2024, havia 1.605 pontos ativos; em junho de 2025, eram 3.200. Os 1.800 pontos restantes não foram instalados, conforme o inquérito. A polícia também registra que o ICB teria firmado contratos de subcontratação no total de R$ 98 milhões, incluindo R$ 36 milhões para a Make One, R$ 30 milhões para a UltraIP e cerca de R$ 12 milhões para Complexys e Fast Future.

O relatório, assinado pelo delegado Antonio Carlos Munuera Silveira em 22 de maio, menciona a possibilidade de remessa de recursos para contas no exterior ou empresas de fachada. Também cita uma empresa registrada na Flórida, nos Estados Unidos, com o mesmo nome da produtora brasileira.

Manifestações

A defesa de Karina Gama afirmou que considera positiva a decisão de retirar o sigilo e disse ter apresentado voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos.

A Prefeitura de São Paulo declarou que não identificou irregularidades na assinatura ou na execução do termo de colaboração com o ICB. A administração informou que o Wi-Fi Livre continua funcionando com 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos. Também afirmou que o serviço foi prestado e que a parceria passa por prestações de contas semestrais.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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