O ministro da Administração Interna, Luís Neves, apresentou nesta terça-feira um balanço das ações da pasta durante uma audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. A sessão ocorreu antes do debate e da votação de uma moção de censura apresentada pelo Chega ao governo.
Entre as medidas destacadas, o ministro afirmou que pretende retirar 400 policiais de tarefas administrativas em Lisboa. No total, 500 agentes deverão ser direcionados ao trabalho nas ruas. Segundo Luís Neves, a iniciativa não reduzirá a presença policial, mas concentrará recursos para melhorar a resposta.
Sobre a segurança em Lisboa e no Porto, ele reconheceu a demanda da população por mais meios e defendeu a reorganização dos recursos da PSP. Também afirmou que os problemas de segurança não devem ser desvalorizados, mas disse que os dados não indicam uma situação de insegurança generalizada. Ao mencionar o chamado “gang do Rolex”, declarou: “nunca haverá zero crimes”.
Fronteiras, trânsito e incêndios
Luís Neves disse ter encontrado uma situação de grande instabilidade nos aeroportos e nas fronteiras. De acordo com o ministro, a coleta de dados biométricos passou a ser feita em 100% dos casos desde domingo, sem perturbações, com reforço de pessoal e cooperação. Ele acrescentou que os tempos de espera diminuíram significativamente.
Na segurança rodoviária, citou a aprovação da estratégia de prevenção 2030, que recebeu mais de 60 contribuições de instituições e tem como objetivo reduzir mortes e ferimentos graves. Também destacou o retorno da Brigada de Trânsito da GNR.
Sobre os incêndios rurais, afirmou que a área queimada até o momento é 74% menor que a registrada no mesmo período de 2025. Cerca de 95% das ocorrências foram controladas na fase inicial, resultado atribuído ao trabalho dos bombeiros.
O ministro também informou que o SIRESP passa por uma renovação técnica após o apagão de 2025, com investimento de 35 milhões de euros e uma nova direção. Segundo ele, a rede teve desempenho notável durante os grandes incêndios deste ano, sem queixas dos usuários.
Questionamentos sobre sua permanência
Questionado por Pedro Pinto, do Chega, sobre quando deixaria o governo, Luís Neves respondeu: “Quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender”. Pinto acusou o ministro de não esclarecer as polêmicas relacionadas à sua atuação e afirmou que ele não teria condições nem credibilidade para liderar a Administração Interna.
Luís Neves disse estar disponível para prestar esclarecimentos em local próprio e recusou antecipar o resultado dos inquéritos e das investigações. Ao abordar o período em que dirigiu a Polícia Judiciária, afirmou estar inteiramente disponível para o escrutínio e admitiu que alguma decisão possa ser considerada errada pelas autoridades competentes. Também declarou que sua conduta foi lícita e que nenhuma decisão buscou enriquecimento próprio ou de terceiros nem prejudicar o interesse público.
Entre os casos investigados estão suspeitas de irregularidades em obras de uma propriedade do ministro em Odemira, a entrega de um atrelado apreendido em uma operação contra o tráfico de drogas e o uso de um carro apreendido em um processo envolvendo o traficante conhecido como “Xuxas”. Os três casos são investigados pelo Ministério Público. Há ainda processos no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja e no Tribunal de Contas.
A moção apresentada pelo Chega será debatida e votada nesta terça-feira, mas o texto informa que sua rejeição já está garantida. Essa é a terceira moção de censura enfrentada por Luís Montenegro, em um contexto relacionado às controvérsias envolvendo Luís Neves. O caso deu origem a três inquéritos-crime, um processo no Tribunal de Contas e uma investigação administrativa.








