Empresários e executivos de setores relevantes da economia vão se reunir com juristas para discutir propostas de aperfeiçoamento institucional do Judiciário e a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro será realizado por videoconferência no fim da tarde de quarta-feira (9), com a participação estimada de 50 e 60 pessoas.
Entre os juristas convidados estão Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Patricia Vanzolini e Oscar Vilhena Vieira. A reunião pretende reunir diferentes pontos de vista sobre o funcionamento e o equilíbrio da Corte, além de avaliar a formulação de um manifesto.
A mobilização ocorre depois de o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos relacionados ao caso do Banco Master. Os documentos revelaram comunicações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Moraes reagiu pedindo a investigação de Mendonça por abuso de autoridade.
O debate deverá reunir representantes da indústria, do mercado financeiro e da sociedade civil. Estão entre os participantes Pedro Passos, acionista da Natura; Josué Gomes, da Coteminas; Jackson Schneider, conselheiro de empresas como Abra e CBMM; e Pedro Wongtschowski, além de outros empresários e executivos.
A crise do STF também tem sido discutida publicamente por empresários. Sérgio Zimerman, acionista de referência da Petz, afirmou em um seminário voltado para empreendedores na semana passada ser favorável à mobilização da sociedade civil para demonstrar indignação com a situação da Corte.
Zimerman disse apoiar um movimento amplo, embora não participe individualmente de manifestos. “A crise [no STF] está completamente politizada. Sou contra a politização e essa questão não pode ser tratada como uma crise de direita ou de esquerda.” Para ele, os fatos e as investigações devem ser analisados de maneira ampla, sem transformar a discussão em uma disputa entre grupos políticos.
Na Faria Lima, executivos também relatam preocupação com o cenário. Um representante graduado do setor financeiro afirmou que muitos empresários compartilham da avaliação, mas evitam se expor. Outra fonte do mercado financeiro classificou como grave a crise institucional no país após o embate entre Moraes e Mendonça e disse que as revelações do caso Master são estarrecedoras, além de avaliar que os freios e contrapesos não funcionam como deveriam.








