Política

Campanha de Lula enfrenta dúvidas sobre pesquisas e reação à crise no Supremo

Petistas divergem sobre a resposta do presidente ao caso Master e demonstram preocupação com a desaceleração nas intenções de voto.

Campanha de Lula enfrenta dúvidas sobre pesquisas e reação à crise no Supremo

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta duas frentes de preocupação: a repercussão da crise envolvendo o caso Master e a desaceleração do crescimento do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Dentro do grupo petista, não há acordo sobre o tom que Lula deve adotar nem sobre a melhor forma de reagir à atuação dos ministros do Superior Tribunal Federal (STF).

A estratégia inicial era manter o presidente afastado do episódio. A retirada do sigilo de relatórios da Polícia Federal, na terça-feira (3), mudou esse cenário. Os documentos apontam uma suposta ligação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Depois do contra-ataque de Moraes, na noite seguinte, integrantes do entorno presidencial passaram a avaliar que a crise poderá atingir o Executivo, independentemente de quem prevaleça no embate.

Divergência sobre a comunicação

Petistas afirmam, em reserva, que a atuação do ministro André Mendonça teve viés político desfavorável ao grupo. Na avaliação de apoiadores de Lula, a divulgação dos relatórios pode fortalecer o grupo do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente, ao alimentar questionamentos sobre o julgamento dos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023 e sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Articuladores da base governista também veem risco de crescimento de posições contrárias ao Judiciário e favoráveis ao impeachment de ministros do STF, medida cuja responsabilidade é do Senado. A assessoria de Mendonça não respondeu até o fechamento da matéria.

Lula publicou um vídeo na noite de quinta-feira (3) defendendo a investigação de todas as pessoas relacionadas à fraude do Banco Master. Na sexta-feira (4), durante um evento no Palácio do Planalto, pediu ao presidente do Superior Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que resolva a questão e passe “o mínimo de tranquilidade [à população]”.

A diferença entre as duas manifestações expôs uma disputa interna. Um grupo, ligado à comunicação do presidente, prefere mensagens equilibradas, sem atribuição direta de responsabilidade. O vídeo foi gravado sob supervisão do ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira, e do marqueteiro Raul Rabelo.

Outra ala, mais próxima da articulação política e das redes sociais, defende que Lula fale sem roteiro e transmita os recados diretamente. Para integrantes do governo, ao atribuir ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República (PGR) a tarefa de solucionar a crise, o presidente também procurou se desvincular do episódio.

Pesquisas e economia

Os levantamentos Quaest e DataFolha, divulgados nesta semana, reforçaram uma preocupação já identificada nos trackings internos: a curva de crescimento de Lula perdeu velocidade. O presidente ainda avança na pesquisa espontânea, mas em ritmo abaixo do esperado pelos estrategistas, que passaram a discutir se a candidatura atingiu um limite.

Entre as hipóteses avaliadas estão a repercussão das investigações sobre Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Lula também tem reclamado que a campanha não está chegando ao povo.

A percepção sobre a economia aparece como o principal ponto de atenção da cúpula lulista. O grupo tenta destacar melhorias com gráficos, comparações com o governo anterior e depoimentos, mas considera que essa percepção ainda não alcançou a população. O preço dos alimentos e o endividamento estão entre as reclamações mencionadas, depois de mais de dois anos de alertas no governo.

Aliados ponderam que Flávio Bolsonaro também não avançou. Pessoas da comunicação com acesso aos pools avaliam que os dois nomes estariam no mesmo ritmo, embora o teto de Lula seja menor do que o esperado. A campanha ainda discute se deve ampliar a presença nas redes, realizar mais eventos corpo a corpo ou aumentar as falas públicas.

Organizadores também citam a dificuldade de conciliar compromissos eleitorais e atividades da Presidência. Lula tem feito viagens e eventos durante a semana, incluindo uma agenda prevista para a próxima quarta-feira (9), em Teresina, no Piauí.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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