A tensão entre Irã e Estados Unidos aumentou neste domingo no estreito de Ormuz após uma nova disputa sobre operações militares e circulação de embarcações. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atacado uma embarcação de superfície não tripulada da Marinha americana na costa sul iraniana. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) classificou a declaração como uma mentira completa.
O CENTCOM informou que as forças americanas desviaram a rota de 92 navios comerciais, imobilizaram três e abordaram outros dois. A medida, segundo o comando, buscou garantir o cumprimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos no estreito. O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) registrou que 59 navios passaram pela via marítima nas últimas 48 horas.
Acusações sobre navios e petroleiros
Em comunicado exibido pela televisão estatal, a Guarda Revolucionária disse que o drone tentou entrar em uma área restrita. A organização afirmou que os Estados Unidos deveriam deixar a região e interromper atos de provocação.
A declaração ocorreu depois de a Guarda Revolucionária afirmar, no sábado, que havia atacado três petroleiros e três navios ligados aos Estados Unidos no estreito. Os militares americanos não confirmaram essas alegações.
No sábado, o CENTCOM havia anunciado a destruição de três petroleiros iranianos. O comando disse que a ação foi uma resposta a ataques com mísseis balísticos realizados pela Guarda Revolucionária contra dois navios de guerra americanos na sexta-feira.
O almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM, afirmou que os Estados Unidos imporiam um custo econômico maior ao Irã caso a Guarda Revolucionária atacasse novamente seus navios. Em comunicado, o comando disse ter tornado permanentemente inoperacionais os petroleiros M/T Downy, próximo à ilha de Kharg, e M/T Stark 1, perto de Jask. Também informou ter destruído o petroleiro sem carga M/T Kylo, chamado ainda de Noxen, no golfo de Omã, depois de a tripulação abandonar a embarcação.
Segundo o CENTCOM, um porta-aviões e um destróier lança-mísseis americanos escaparam de vários ataques iranianos, sem feridos entre os militares dos Estados Unidos.
Ameaças de novas respostas
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, declarou que o país havia testado, 48 horas antes, um míssil antinavio contra um navio da Marinha americana. Ele disse que a arma obrigou os americanos a fugir.
O uso de mísseis balísticos antinavio contra navios americanos na sexta-feira foi descrito como uma mudança significativa nas ações militares iranianas e na doutrina do país diante dos Estados Unidos.
Enquanto o CENTCOM divulgava vídeos dos ataques aos petroleiros, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, acusou os Estados Unidos de usar imagens falsas produzidas com inteligência artificial. Ele também advertiu que qualquer novo ataque contra o Irã receberia uma resposta mais rápida, pesada e dolorosa.
O conflito havia recomeçado no último domingo, quando forças americanas atingiram lançadores de foguetes iranianos e outras estruturas militares na costa sul do país. Depois, a Guarda Revolucionária confirmou os ataques e lançou ofensivas com mísseis e drones na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein.








