KIEV — A Rússia voltou a bombardear Kiev na madrugada desta terça-feira (8), horas depois da saída de enviados do presidente americano Donald Trump que tentavam retomar as negociações de paz. O ataque matou ao menos duas pessoas e feriu outras oito, de acordo com um balanço preliminar da polícia ucraniana.
Em resposta à nova ofensiva, o Reino Unido anunciou um pacote de 100 milhões de libras esterlinas, equivalente a cerca de R$ 694 milhões, para reforçar a defesa aérea da Ucrânia antes do inverno.
Fortes explosões foram registradas durante a noite em diferentes áreas da capital. O alerta de mísseis durou várias horas, e moradores buscaram abrigo. A Polônia colocou sua força aérea em estado de prontidão.
A Promotoria de Kiev informou que os ataques danificaram 14 edifícios residenciais, uma escola, uma clínica, 25 veículos, um supermercado e armazéns logísticos. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que atingiu fábricas de componentes para drones e mísseis, depósitos de munição e instalações militares.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, criticou a ofensiva após a partida dos representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. “Assim que os enviados de paz do presidente dos EUA partiram, Putin lançou outro ataque massivo e horrível contra Kiev”, escreveu na rede X.
Apoio britânico e negociações
Os recursos anunciados pelo Reino Unido fazem parte de um programa da Otan para apoiar Kiev. O dinheiro será usado no fornecimento de mísseis interceptores Patriot, munições de grosso calibre e drones. O governo britânico afirmou que a medida ajudará a Ucrânia a se proteger dos ataques russos esperados nos próximos meses.
O governo ucraniano afirma enfrentar escassez de interceptores Patriot, considerados os únicos sistemas capazes de neutralizar os mísseis balísticos russos usados com frequência crescente contra a capital. O presidente Volodymyr Zelensky pediu mais sistemas e mísseis aos países aliados.
A ajuda deverá ser discutida na reunião do Grupo de Contato para a Defesa da Ucrânia, que reúne cerca de 50 países aliados. O encontro será copresidido pelo secretário britânico da Defesa, Wes Streeting, e pelo ministro alemão Boris Pistorius.
A ofensiva ocorreu após a visita de Witkoff e Kushner a Moscou e Kiev. Na segunda-feira (7), Witkoff disse que a viagem produziu “progressos substanciais” para novas negociações trilaterais sobre a guerra iniciada pela invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
O Kremlin informou que não descartava retomar as negociações, mas o porta-voz Dmitry Peskov afirmou que ainda era cedo para discutir o local e as datas de um eventual encontro. As tratativas anteriores esbarraram principalmente na disputa territorial entre Moscou e Kiev.
Zelensky disse que Vladimir Putin teria demonstrado disposição para discutir medidas de desescalada durante o inverno. As possíveis áreas de negociação incluem energia, grãos, eletricidade, petróleo e gás. No inverno passado, ataques russos atingiram instalações energéticas ucranianas, provocando cortes de eletricidade e aquecimento que afetaram milhões de pessoas.








