O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, anunciou sua renúncia na segunda-feira (7), durante uma investigação que apura uma rede de lavagem de dinheiro ligada à proteção de centrais de golpes telefônicos no país.
Em mensagem publicada no Telegram, Kravchenko escreveu: "Apresentei minha renúncia". Ele também afirmou: "Não quero que a Procuradoria-Geral seja usada como ferramenta em um confronto político". O procurador declarou que mantém sua posição sobre as acusações, mas não apresentou mais detalhes.
A renúncia ocorreu após agentes do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e da Procuradoria Especial Anticorrupção (SAP) realizarem buscas no gabinete do procurador. No sábado (5), os dois órgãos disseram ter identificado um esquema de lavagem de dinheiro supostamente comandado por um funcionário da Procuradoria-Geral.
Investigação sobre centrais fraudulentas
De acordo com os investigadores, a rede recebia pagamentos para garantir proteção a call centers fraudulentos especializados em golpes por telefone. Os responsáveis pelas fraudes teriam conseguido cobertura para as operações e formas de legalizar recursos de origem ilícita. Parte do dinheiro, segundo as autoridades, foi usada na compra de imóveis, joias e outros bens de alto valor.
A Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC) estima que o setor de telemarketing clandestino empregue cerca de 60 mil pessoas na Ucrânia, o equivalente a cerca de dois terços da força de trabalho do sistema bancário do país. As operações podem gerar até US$ 1 bilhão por mês, segundo a organização.
Outros casos de corrupção
O episódio se soma a investigações que atingiram integrantes do governo e autoridades civis e militares desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Em agosto, o presidente Volodymyr Zelensky exonerou a vice-chefe de gabinete Iryna Mudra depois que o nome dela apareceu em uma investigação sobre lavagem de dinheiro. Andriy Yermak deixou o cargo de chefe de gabinete em novembro de 2025, após a divulgação de um esquema de desvio de recursos atribuído ao empresário Timur Mindich, amigo próximo de Zelensky e foragido no exterior.
A saída de Kravchenko ocorre enquanto o governo ucraniano tenta preservar sua imagem perante aliados ocidentais. O combate à corrupção continua entre as exigências para a aproximação da Ucrânia com a União Europeia.








