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Em Gaza, abrigos têm infestações e unidades médicas enfrentam diagnósticos incertos

Relatos e levantamentos apontam presença de cobras, escorpiões, roedores e parasitas em áreas de acolhimento de deslocados.

Em Gaza, abrigos têm infestações e unidades médicas enfrentam diagnósticos incertos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de envenenamento por picadas de cobra entre pessoas deslocadas na Faixa de Gaza, onde abrigos temporários, superlotação e circulação constante aumentam a possibilidade de contato com esses animais. Em unidades médicas, profissionais também relatam dificuldades para identificar a origem de algumas lesões.

Hassan Al-Samiri, deslocado de Jahr Al-Deek para a região leste de Deir al-Balah, afirma que cobras, escorpiões e aranhas aparecem com frequência perto de sua tenda. “Quase todas as semanas vejo uma cobra, e há muitos escorpiões e aranhas. Todos os dias mato alguns deles.”

Infestações alcançam locais de acolhimento

Um relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), publicado em 3 de julho de 2026, registrou roedores e parasitas externos em 83% dos locais de acolhimento avaliados. O levantamento também apontou esgoto nas ruas, lixo acumulado e água parada. A cobertura dos serviços de gestão desses espaços não passava de 34%.

Uma avaliação anterior, divulgada pela OCHA em 17 de abril, identificou roedores ou pragas em 1.326 dos 1.644 locais analisados. Esses espaços recebiam cerca de 1,45 milhões de pessoas. Desde o início de 2026, foram notificados mais de 70 mil casos relacionados a roedores e parasitas externos.

Os números não especificam quantas cobras ou escorpiões foram encontrados. Para a OMS, porém, as condições dos abrigos, a permanência de moradores em áreas externas e a necessidade de deslocamento aumentam a exposição a cobras nas proximidades das áreas habitadas.

Uma avaliação do Grupo de Abrigo na Palestina, liderado pelo Conselho Norueguês para os Refugiados e coordenado com a Organização Internacional para as Migrações, estima que cerca de 1,98 milhões de pessoas, equivalentes a 94% da população de Gaza, precisam de ajuda com alojamento e bens essenciais. Dados divulgados pelo OCHA em agosto de 2026 indicam ainda que 84% das famílias enfrentam restrições severas nas condições de vida.

Atendimento médico enfrenta limitações

Maher Abu Amra, integrante de uma unidade médica a leste de Deir al-Balah, relata que nem sempre é possível determinar se uma ferida foi causada por cobra, escorpião ou inseto. Em alguns casos, familiares chegam levando o animal que teria provocado a lesão, embora a OMS recomende não tentar capturar cobras nem se aproximar delas.

A unidade também recebe crianças com insetos que entraram nos ouvidos durante o sono. Segundo Abu Amra, quando o atendimento excede a capacidade local, os pacientes são encaminhados a instalações do Ministério da Saúde.

A OMS afirma que o veneno de algumas cobras pode provocar paralisia respiratória, sangramentos graves e danos aos rins ou aos tecidos. A organização recomenda buscar atendimento médico rapidamente e diz que os antídotos são o tratamento mais eficaz para prevenir ou reverter a maioria dos efeitos da intoxicação.

Em meados de julho de 2026, apenas 44% dos pontos de prestação de serviços de saúde registrados antes de outubro de 2023 estavam funcionando em Gaza. Entre 19 e 25 de julho, infecções por parasitas externos representaram 18,9% das doenças transmissíveis notificadas.

Operações de controle e condições ambientais

Ao longo de 2026, organizações humanitárias ampliaram ações de pulverização, controle de roedores, limpeza e orientação. Um relatório do OCHA publicado em 31 de julho informou que parceiros começaram a distribuir nove toneladas de raticidas introduzidos na Faixa pelos Emirados Árabes Unidos.

Em 20 de agosto, a ONU afirmou que operações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e parceiros, realizadas desde maio, alcançaram mais de 3.000 locais, entre centros de acolhimento, mercados e hospitais.

A resposta inclui fornecimento regular de produtos, equipamentos e peças de reposição, além de melhorias na gestão de resíduos, esgoto e remoção de escombros. Em um levantamento realizado no início de julho, 43% das famílias disseram haver esgoto ou lama a até dez metros de suas moradias, enquanto 26% relataram montes de resíduos sólidos nas proximidades.

Segundo relatório do OCHA publicado em 23 de julho, cerca de 630 mil toneladas de escombros haviam sido removidas de estradas e infraestruturas de serviços básicos. A estimativa do PNUD é de mais de 60 milhões de toneladas deixadas pela guerra.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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