A Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou cerca de 44% dos votos na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. O resultado foi o melhor desempenho da história do partido de extrema direita e ampliou a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz.
A votação também enfraqueceu a CDU, partido conservador de Merz. A legenda governava o estado havia mais de duas décadas e perdeu metade de seu apoio eleitoral. Embora a AfD ainda não tenha assegurado o comando do governo regional, o resultado criou a possibilidade inédita de a extrema direita chegar ao poder em um dos estados alemães.
Campanha de Ulrich Siegmund
O desempenho do partido foi associado pelo Le Figaro ao candidato Ulrich Siegmund, de 35 anos. A imprensa alemã o descreveu como um político com imagem de “genro ideal”. A campanha usou símbolos da antiga Alemanha Oriental e ampliou a presença de Siegmund nas redes sociais, ajudando a aproximar a AfD de eleitores além de sua base tradicional.
Em Magdeburgo, sindicatos, ambientalistas e grupos antifascistas organizaram manifestações. Os participantes classificaram o resultado como uma ameaça à democracia alemã. O Libération descreveu a votação como um “choque fascista” e afirmou que a extrema direita está às portas do poder pela primeira vez desde 1945, ano do fim da Segunda Guerra Mundial.
Possível aliança regional
A correspondente do La Croix em Berlim avaliou o resultado como um recado ao governo federal. A eleição foi interpretada como um voto de protesto contra Berlim, e uma eventual aliança com o partido populista BSW pode influenciar a formação do governo estadual. A sigla é favorável à Rússia e contrária à imigração.
Jornais franceses também destacaram a perda de força política de Merz. Pesquisas nacionais já colocam a AfD à frente da CDU. O Libération apontou ainda que os próximos dois testes eleitorais, previstos para daqui a duas semanas, podem reabrir a discussão sobre a permanência do chanceler no cargo.








