Mundo

Brasil ganha espaço na migração russa impulsionada por partos no exterior

Mudanças na Argentina redirecionaram famílias russas para o Brasil, enquanto países ampliam controles sobre a cidadania obtida por nascimento.

Brasil ganha espaço na migração russa impulsionada por partos no exterior

A procura de famílias russas pelo Brasil como destino para o nascimento de filhos aumentou em 2026, depois que a Argentina endureceu suas regras migratórias. A mudança faz parte de uma tendência mais ampla ligada à busca por uma segunda cidadania e por alternativas de residência fora da Rússia após o início da guerra contra a Ucrânia.

Em 2024, 477 russos obtiveram cidadania brasileira. Em 2025, foram 613, e mais de metade dos novos cidadãos eram mulheres. No Brasil, a criança nascida no território recebe automaticamente a cidadania brasileira e a certidão de nascimento. Os pais podem obter autorização de residência e, após um ano de permanência e comprovação de conhecimentos de língua portuguesa, solicitar a naturalização. Para os avós, o prazo de residência é de quatro anos.

A legislação brasileira também permite que os filhos mais velhos obtenham a cidadania por um procedimento simplificado durante o primeiro ano de residência da família. Essa combinação transformou o país em uma opção de permanência prolongada, e não apenas em um local para o parto.

A mudança no fluxo argentino

A Argentina havia se tornado o principal destino de russas grávidas depois de 2022. O país oferecia entrada sem visto para cidadãos russos, atendimento médico considerado acessível, cidadania automática para a criança e possibilidade de residência para os pais.

A criança nascida em território argentino tinha acesso aos direitos previstos em lei, incluindo programas sociais e benefícios infantis. Os pais podiam solicitar residência permanente, trabalhar, abrir negócios e, posteriormente, buscar a cidadania. A legislação também permitia a regularização de outros integrantes da família por mecanismos de reunião familiar e naturalização.

Agências especializadas passaram a vender pacotes que incluíam a organização do parto, a preparação de documentos e o acompanhamento dos pedidos de residência e cidadania. O passaporte argentino, a possibilidade de manter a cidadania russa e a ausência de serviço militar obrigatório também eram apresentados como atrativos.

Segundo as autoridades argentinas, cerca de 10,5 mil russas grávidas chegaram ao país em 2022. Aproximadamente 7 mil deixaram a Argentina pouco depois de obter os documentos dos filhos. Até meados de 2024, o número de russos que haviam se mudado para o país desde o início da guerra chegou a cerca de 75 mil. Em bairros de Buenos Aires, formou-se uma comunidade russa.

As autoridades abriram investigações sobre empresas que ofereciam serviços completos para o nascimento e a regularização migratória. Com a chegada do presidente Javier Milei ao poder, os pais deixaram de usar o nascimento de um filho na Argentina como caminho acelerado para obter a própria cidadania. A naturalização passou a exigir pelo menos dois anos de residência legal.

Também foram restringidos o acesso gratuito de estrangeiros sem status migratório a cuidados médicos e as condições para entrada no país. Em 2023, cidadãos russos apresentaram mais de 7 mil pedidos de autorização de residência na Argentina. Em meados de 2025, o volume havia caído para menos de duas mil solicitações.

Outras escolhas na América e na Europa

Além do Brasil e da Argentina, famílias russas avaliam destinos considerando a cidadania concedida à criança, a qualidade dos serviços médicos, o custo do parto, a velocidade de emissão de documentos e as possibilidades de legalização dos parentes.

No Chile, a criança nascida no território recebe cidadania, e os pais podem utilizar mecanismos simplificados para regularizar a permanência. O país também é procurado pela estrutura de saúde e pelo custo inferior ao dos Estados Unidos. Clínicas privadas de Santiago e de outras grandes cidades são apresentadas como alternativas com atendimento de alto nível e despesas mais moderadas.

Os Estados Unidos continuam entre os destinos mais conhecidos. Pela 14.ª emenda da Constituição, a criança nascida em território norte-americano obtém cidadania independentemente da situação migratória dos pais. O custo do parto, da hospedagem, do seguro e do apoio jurídico pode chegar a dezenas de milhares de dólares. Desde 2020, cônsules podem negar vistos de turista quando entendem que o objetivo principal da viagem é dar à luz para obter cidadania para o filho.

No Canadá, a criança também recebe cidadania ao nascer no país. Segurança, serviços de saúde e a estrutura social estão entre os fatores de atração, embora os custos sejam altos e alguns atendimentos possam ter espera maior. No ano financeiro de 2024-2025, foram registrados mais de 5,4 mil partos de não residentes, o que ampliou os debates sobre mudanças nas regras.

O México é outra alternativa, principalmente pela cidadania concedida às crianças nascidas em seu território, pela proximidade com os Estados Unidos e por custos médicos inferiores aos da América do Norte. A Suíça, por sua vez, é procurada por famílias com mais recursos pelo atendimento obstétrico, mas não concede cidadania automática por nascimento.

Países ampliam controles

A expansão das viagens para obter cidadania levou diferentes governos a alterar leis e procedimentos. Irlanda, Austrália e Nova Zelândia deixaram de conceder cidadania automática apenas pelo nascimento no território. Na Irlanda, após o referendo de 2004, passou a ser necessário, na maioria dos casos, que um dos pais fosse cidadão ou tivesse direito à residência permanente. O Reino Unido também havia adotado restrições semelhantes.

A Argentina manteve a cidadania das crianças, mas retirou dos pais o acesso acelerado aos próprios documentos. Nos Estados Unidos, além das regras para vistos, as autoridades intensificaram o combate a empresas intermediárias e cancelaram vistos associados a esses esquemas.

Hong Kong adotou marcações prévias obrigatórias em maternidades, cotas para estrangeiras e controles mais rígidos na fronteira depois do aumento de gestantes vindas da China continental. O número de casos caiu de forma acentuada.

A experiência desses países mostra que os governos têm recorrido a medidas diferentes: eliminação da cidadania automática, restrições de visto, controle de intermediários e redução dos benefícios migratórios para os pais. Para milhares de famílias russas, o parto no exterior passou a combinar decisões médicas, obtenção de documentos e planejamento de migração de longo prazo.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5