BUENOS AIRES — Projetos de data centers avançam em diferentes províncias argentinas, com Neuquén no centro das iniciativas que combinam gás de xisto, energia renovável e clima frio. As propostas ainda estão em fase inicial e buscam investidores, enquanto o país tenta se posicionar no mercado de grandes instalações para servidores.
Na província de Neuquén, a Pampa Energia avalia construir uma unidade próxima à usina termelétrica Loma de la Lata, controlada pela empresa. O empreendimento poderia consumir até 500 megawatts de energia produzida com gás da formação de Vaca Muerta. A área é rural e abriga famílias indígenas mapuches, que mantêm histórico de conflitos com companhias do setor energético.
A empresa começou a estudar o projeto depois de receber consultas sobre possíveis data centers no início deste ano. Ruben Turienzo, diretor comercial de eletricidade da Pampa, afirmou que o interesse recebido passou a ser mais concreto. A companhia apresenta cotações de energia a potenciais clientes e pretende fechar acordos iniciais até o final de 2026. Antes de uma expansão, os investidores avaliam um projeto-piloto de 20MW a 40MW. A infraestrutura necessária para 500MW custaria quase US$900 milhões, segundo Turienzo.
Investimentos e infraestrutura
O movimento ocorre durante o governo de Javier Milei, que assumiu a Presidência em dezembro de 2023. O regime de incentivos RIGI oferece benefícios fiscais e estabilidade regulatória para grandes investimentos. Também está em discussão o Super RIGI, proposta com reduções fiscais mais amplas, enquanto alguns investidores acompanham a eleição presidencial de 2027.
A OpenAI anunciou uma parceria com a Sur Energy para construir um data center abastecido por energia limpa. O projeto pode custar até US$ 25 bilhões e ter capacidade de até 500 MW. A agência de comunicações argentina também informou que pretende criar uma segunda estação de aterramento de cabos de fibra óptica, medida destinada a ampliar a receptividade da Patagônia a essas instalações.
Hoje, a Argentina tem apenas pequenos data centers, concentrados em Buenos Aires. A Amazon.com desenvolve um megadata center no Chile, a Alphabet constrói uma unidade no Uruguai e o Paraguai divulgou planos para um projeto apoiado por Taiwan.
Projetos em outras províncias
Em Neuquén, a FlexDomes procura investidores para uma instalação com carga inicial de TI de 120MW. O custo estimado é de US$1,4 bilhão, com uso de energia de Vaca Muerta.
Na província de Chubut, a Green Capital planeja um data center de 300MW na primeira fase, com investimento de US$3 bilhões. A capacidade poderia chegar a 3.000MW. A empresa arrenda cerca de 1.298 quilômetros quadrados ao sul de Trelew para parques eólicos e solares e pretende solicitar um regime de investimento em 2027.
Também há negociações na província de Buenos Aires. A Pampa Energia concordou em fornecer 30MW para a primeira etapa de um data center em uma zona de livre comércio de Bahía Blanca. A área é conhecida pela geração eólica, e a concessionária local informou que começou a construir um parque de tecnologia da informação.
As empresas interessadas buscam energia e terrenos, mas consultores do setor avaliam que esses fatores, isoladamente, não bastam. As hiperescaladoras também analisam possibilidades que antes eram consideradas inviáveis, segundo Ariel Graizer, presidente da Câmara Argentina da internet.









