Economia

Lucros e crescimento sustentam ações enquanto títulos públicos rendem mais

A alta dos juros da dívida não derrubou as bolsas porque o crescimento econômico e os resultados das empresas ainda oferecem suporte aos investidores.

Lucros e crescimento sustentam ações enquanto títulos públicos rendem mais

As bolsas vêm resistindo à alta dos rendimentos dos títulos públicos em diferentes países, apoiadas por crescimento econômico, investimentos em tecnologia e resultados corporativos fortes. O movimento ocorre mesmo com a taxa dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 30 anos acima de 5%, próxima de níveis registrados pela última vez em 2007.

Na Alemanha, no Japão e no Reino Unido, os custos de financiamento dos governos também alcançaram máximas de várias décadas. Em condições normais, juros mais altos tornam o crédito mais caro, pressionam o valor relativo das ações e oferecem aos investidores uma alternativa nos títulos de renda fixa.

Ainda assim, o S&P 500 acumulou alta de cerca de 13% este ano e está a menos de 1% do recorde de 13 de agosto. O STOXX 600 europeu avançou cerca de 9,5%, enquanto o Nikkei 225 japonês subiu mais de 27%.

O motivo por trás da alta dos rendimentos

A explicação pode estar na causa do aumento dos juros, e não apenas no nível alcançado. Em declarações à CNBC, John Williams, presidente da Reserva Federal de Nova Iorque, afirmou que a alta dos rendimentos de longo prazo é impulsionada principalmente pela força da economia e pelos investimentos em inteligência artificial, centros de dados e tecnologia.

“O que está a impulsionar esta tendência… é, na verdade, uma economia norte-americana forte e perspetivas económicas sólidas, alimentadas por grandes investimentos em IA, centros de dados e tecnologia em geral”, afirmou Williams.

Quando os juros sobem por causa de expectativas de crescimento mais forte, as empresas também podem registrar aumento de receitas e lucros. O custo maior de financiamento continua sendo um obstáculo, mas pode ser parcialmente compensado por resultados melhores.

Williams também disse que o movimento não representa necessariamente uma situação em que as condições financeiras estejam enfraquecendo a economia. “Trata-se mais da economia a afetar as condições financeiras”, afirmou.

Consumo e mercado de trabalho ainda sustentam a economia

Em Jackson Hole, a 28 de agosto, o presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, apresentou argumento semelhante. Segundo ele, os gastos reais dos consumidores cresceram mais de 2% nos últimos quatro trimestres. As compras finais privadas internas, indicador que reúne consumo e investimento, avançaram a um ritmo anual de quase 3% durante 2026.

Warsh também destacou a estabilidade do mercado de trabalho. “A taxa de desemprego, de 4,1%, continua baixa em termos históricos e não sofreu grandes alterações nos últimos dois anos”, afirmou.

Para o debate entre títulos e ações, o presidente da Reserva Federal avaliou que as condições financeiras gerais não são restritivas. A declaração indica que o aumento dos custos de financiamento de longo prazo ainda não produziu o aperto financeiro que normalmente ameaçaria o ciclo econômico.

Resultados das empresas dão suporte às bolsas

Os dados corporativos ajudam a explicar a resistência dos mercados. De acordo com o Earnings Insight, da FactSet, publicado a 28 de agosto, 97% das empresas do S&P 500 já haviam divulgado os resultados do segundo trimestre. Desse grupo, 86% superaram as estimativas de lucro e 77% ficaram acima das projeções de receita. Os dois índices estão acima das médias de cinco e dez anos.

O crescimento combinado dos lucros no trimestre chegou a 52%, o ritmo mais rápido desde o segundo trimestre de 2021. A receita cresceu 15,5%, e a margem de lucro líquido alcançou 17%, maior nível registrado pela FactSet desde o início do acompanhamento desse indicador, em 2009.

O risco está na combinação entre juros e desaceleração

Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, não considera que o mercado de títulos esteja emitindo um alerta imediato. O economista criou o termo “bond vigilantes” em 1983 para descrever investidores que pressionam governos por meio do mercado de títulos quando avaliam que a política fiscal se tornou irresponsável ou que a política monetária é branda demais diante da inflação.

A taxa dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos permanece, em geral, na faixa de 4% a 5%, considerada por Yardeni o antigo padrão observado entre os anos anteriores à crise financeira e a pandemia. Ele também afirma que o rendimento continua abaixo do crescimento nominal do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos.

O ponto de atenção, portanto, não seria necessariamente um número específico, como 5%. O risco aumentaria se os rendimentos continuassem subindo ao mesmo tempo em que o crescimento econômico perdesse força, as estimativas de lucro recuassem e as expectativas de inflação acelerassem. Essa combinação elevaria as taxas de desconto e reduziria as perspectivas de ganhos das empresas.

Próximo teste ocorre em setembro

Até agora, os dados mostram um mercado capaz de absorver juros mais altos com o apoio dos resultados corporativos. A questão central para os investidores é identificar o que está por trás da alta dos rendimentos.

Se o movimento refletir ganhos de produtividade, investimentos e expansão econômica, as ações podem suportar parte da pressão. Se decorrer da perda de controle da inflação pelos governos e da exigência de uma remuneração maior pelos riscos no mercado de dívida, o efeito sobre as bolsas pode ser diferente.

O próximo teste está marcado para 16 de setembro, quando a Reserva Federal se reunirá pela primeira vez desde a avaliação de Warsh de que a política monetária não é restritiva.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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