Economia

Huawei enfrentará julgamento nos EUA por acusações ligadas ao Irã

Empresa chinesa é acusada de violar sanções, fraudar bancos e roubar segredos comerciais; ela nega todas as irregularidades.

Huawei enfrentará julgamento nos EUA por acusações ligadas ao Irã
Foto: Yves Herman/Reuters

A Huawei Technologies está prestes a ser julgada nos Estados Unidos por acusações relacionadas às suas operações no Irã. A seleção do júri deve começar nesta terça-feira (8), em um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York, oito anos depois de promotores americanos apresentarem secretamente as acusações contra a empresa.

O processo inclui alegações de violação das sanções dos Estados Unidos contra o Irã, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude eletrônica e obstrução. A Huawei também é acusada de conspirar para roubar segredos comerciais de cinco empresas americanas, mentir sobre suas operações na Coreia do Norte e fornecer equipamentos de vigilância usados para rastrear manifestantes em Teerã, em 2009.

A empresa se declarou inocente e negou qualquer irregularidade. Um porta-voz afirmou que “a narrativa geral do governo é comprovadamente falsa”. A Huawei também sustenta que as acusações de roubo são uma reformulação de disputas comerciais antigas e descreve o processo como uma tentativa de reduzir sua competitividade.

Relação com a Skycom

A acusação formal abrange supostas irregularidades ocorridas entre aproximadamente 1999 e 2020. Segundo os promotores, a Huawei teria usado a Skycom, empresa que operava no Irã, para obter bens, tecnologia e serviços dos Estados Unidos sujeitos a embargo e para retirar dinheiro do país por meio do sistema bancário internacional.

Entre as operações citadas está a oferta, em 2010, de pelo menos € 1,3 milhão (US$ 1,5 milhão) em equipamentos de informática da Hewlett-Packard para a maior operadora de telefonia móvel do Irã. Os produtos estariam sujeitos a embargo. Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei, integrou o conselho de administração da Skycom entre fevereiro de 2008 e abril de 2009.

Os Estados Unidos afirmam que um banco não identificado na acusação processou mais de US$ 100 milhões em transações em dólares ligadas à Skycom. Os promotores também acusaram Meng de fornecer informações falsas sobre a propriedade e o controle da empresa durante uma apresentação a um executivo do HSBC. Mais tarde, ela admitiu que as declarações eram falsas em um acordo que levou à retirada das acusações contra ela.

Disputa entre Washington e Pequim

O caso começou a ganhar dimensão internacional em 2018, quando Meng foi presa em Vancouver. A prisão desencadeou uma crise diplomática envolvendo Estados Unidos, China e Canadá.

O julgamento será conduzido pela juíza federal Ann Donnelly e deve durar cerca de três meses. O período coincidirá parcialmente com a reunião de 24 de setembro entre Xi Jinping e Donald Trump, em Washington. Os potenciais jurados responderam a questionários de 27 páginas, com perguntas sobre suas opiniões a respeito dos governos da China e do Irã.

Uma condenação poderia reforçar a justificativa para a inclusão da Huawei em uma lista comercial restritiva dos Estados Unidos em 2019. A medida citou supostas condutas criminosas que ameaçariam a segurança nacional. O governo americano também pressionou outros países a retirar equipamentos da empresa de suas redes de telecomunicações, sob o argumento de que a China poderia usá-los para espionagem.

Atualmente, a Huawei ocupa posição central nas ambições chinesas relacionadas a chips para inteligência artificial e ampliou suas atividades para além de equipamentos de redes e smartphones. O processo ocorre durante o acirramento da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, que alcançou setores como a inteligência artificial. Se for condenada, a empresa poderá sofrer o confisco de bens ou receitas obtidos por meio das atividades consideradas ilegais.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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