Ciência

Bolas de papel feitas por guaxinins-pigmeus indicam aprendizado social em Cozumel

Pesquisadores observaram animais transformando recibos em bolas e repetindo o comportamento durante brincadeiras na ilha mexicana.

Bolas de papel feitas por guaxinins-pigmeus indicam aprendizado social em Cozumel

COZUMEL, MÉXICO — Uma família de guaxinins-pigmeus passou a produzir e usar bolas feitas com papel depois que uma jovem fêmea foi observada transformando um recibo em brinquedo. O comportamento foi registrado por pesquisadores durante um estudo sobre a espécie, considerada criticamente ameaçada de extinção.

A fêmea retirou o papel de um recipiente, mergulhou o material várias vezes em uma tigela com água, amassou-o, rolou-o na areia e arremessou a bola no chão. Nos dias seguintes, outros animais foram vistos fabricando objetos semelhantes e usando-os em brincadeiras. Jovens chegaram a interagir com as bolas como se jogassem uma espécie de “futebol”.

A observação ocorreu em janeiro, enquanto duas pesquisadoras da Universidade de Miami estudavam como a presença humana e o turismo afetam os guaxinins-pigmeus em seu habitat natural. A equipe também registrou a participação de quatis-de-cozumel (Nasua narica nelsoni), parentes próximos dos guaxinins.

Um comportamento repetido pelos parentes

A mãe e a irmã da primeira fêmea observada bateram nas bolas e tentaram criar seus próprios objetos. Os irmãos também repetiram as etapas de produção. Depois, a jovem considerada pioneira morreu, provavelmente pela combinação de desnutrição e exposição a substâncias tóxicas presentes no lixo humano. Ainda assim, o irmão foi visto fazendo uma nova bola com restos de papel.

Para os pesquisadores, a sequência reforça a possibilidade de aprendizado social. O caso pode ser a primeira evidência documentada de uma “cultura material” entre procionídeos, grupo que reúne guaxinins, quatis e parentes. A expressão se refere a comportamentos de uso ou transformação de objetos do ambiente que podem ser aprendidos e transmitidos entre indivíduos.

A fabricação de um objeto sem função imediata de sobrevivência diferencia o episódio de registros de animais que aprendem a usar ferramentas para obter alimento. Embora brincadeiras sejam observadas em várias espécies, é menos comum encontrar animais modificando materiais, produzindo um objeto específico e levando outros indivíduos a repetir o processo.

“Ela está fazendo uma bolinha!”, lembrou Nessie O'Neil, primeira autora do artigo, ao descrever sua reação inicial diante da cena. A pesquisadora filmou o comportamento e compartilhou o registro com sua orientadora, Michelle Szydlowski. A pesquisa foi publicada no final de agosto na revista científica Wild.

Espécie restrita à ilha

O guaxinim-pigmeu (Procyon pygmaeus) vive somente em Cozumel. As estimativas indicam que restam 120 animais na natureza, enquanto outra avaliação aponta a existência de menos de 200 indivíduos na ilha.

Os pesquisadores afirmam que compreender como esses animais aprendem uns com os outros pode contribuir para lidar com comportamentos adquiridos em áreas turísticas, como procurar comida humana, pedir alimento e entrar em contato com bebidas e outros resíduos deixados por visitantes. O'Neil também pediu que as pessoas não alimentem os guaxinins.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5