O petróleo foi o principal produto exportado pelo Brasil em agosto, em um mês no qual a receita das vendas externas avançou 12,2%. O resultado contribuiu para um superávit comercial de US$ 7,4 bilhões, acima dos US$ 6 bilhões registrados no mesmo período de 2025, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
As exportações somaram US$ 33,2 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 25,8 bilhões. As compras externas cresceram 9,2% no mês. Entre os produtos que mais impulsionaram os embarques estiveram petróleo, soja e minério de cobre.
Preço do petróleo influencia resultado
A receita obtida com as exportações de petróleo aumentou 18% em agosto. José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), atribuiu o desempenho principalmente à valorização do produto: o preço subiu 24,9% em relação a agosto de 2025, enquanto o volume embarcado recuou 5,5%.
André Valério, economista do Inter, afirmou que petróleo bruto e combustíveis passaram a representar 18,9% das exportações brasileiras, ante 16,85% em agosto de 2025. Para ele, a redução das compras chinesas de petróleo e a queda das vendas brasileiras para os Estados Unidos influenciaram a composição dos embarques.
As exportações brasileiras de petróleo aos Estados Unidos caíram 59% na comparação anual. A participação do produto nas vendas ao país diminuiu de 21% em 2025 para 7,7% em 2026. No conjunto, porém, as exportações brasileiras aos Estados Unidos alcançaram US$ 3,2 bilhões em agosto, alta de 12,1% sobre igual período de 2025.
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, disse que o crescimento das vendas aos Estados Unidos esteve ligado aos preços. O volume embarcado para o país caiu 3,1% na comparação com agosto de 2025. Ele também afirmou que as interferências no comércio bilateral têm provocado oscilações e incertezas nos dados mensais.
Soja, cobre e minério de ferro
A soja teve aumento de 14% nos embarques, com contribuição tanto da quantidade quanto dos preços. Já o minério de ferro, terceiro produto mais exportado em agosto, apresentou queda de 10,8% na receita, resultado de recuos no preço e no volume.
O minério de cobre, embora não estivesse entre os cinco produtos mais vendidos ao exterior, alcançou US$ 975 milhões em embarques. O valor foi mais que o triplo do registrado em igual mês de 2025. Desse total, US$ 685,2 milhões tiveram como destino a União Europeia.
No acumulado do ano, o superávit comercial chegou a US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2%. As exportações totalizaram US$ 250,9 bilhões, crescimento de 10,3%, e as importações somaram US$ 195,5 bilhões, avanço de 6,1%. A corrente de comércio atingiu US$ 446,393 bilhões, aumento de 8,4%.
Importações e projeções
Apesar do aumento no valor importado em agosto, o volume caiu 2%. José Augusto de Castro explicou que os preços subiram 11%, compensando a redução da quantidade desembarcada. No acumulado até agosto, o volume importado recuou 0,8%, enquanto os preços médios avançaram 25,4%. Com isso, o desembolso com importações cresceu 14,7% ante igual período de 2025.
Os bens intermediários e os combustíveis foram os principais responsáveis pela queda nas quantidades importadas, com recuos de 6,8% e 6,5%, respectivamente, no acumulado. Luiza Pinese, economista da XP, prevê desaceleração das importações com a perda de ritmo da atividade doméstica.
A XP projeta superávit comercial de US$ 84,5 bilhões em 2026. As estimativas do Inter e da AEB são de saldos positivos de US$ 88 bilhões e US$ 90 bilhões, respectivamente. Pinese avalia que a alta recente do petróleo e de outras commodities pode favorecer os preços de exportação, embora volumes menores de petróleo representem um risco para o desempenho das vendas externas.








