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Como criptoativos passaram a aparecer em golpes e investigações no Brasil

Casos recentes mostram o uso de criptoativos como chamariz para vítimas e como meio de ocultar valores obtidos em crimes financeiros.

Como criptoativos passaram a aparecer em golpes e investigações no Brasil

Uma sequência de 607 transferências via Pix, entre 4h23 e 9h47 de 26 de fevereiro de 2025, levou o Itaú a identificar uma movimentação atípica. As operações partiram de uma única credencial ligada a uma fintech contratada pelo banco e alcançaram 272 contas. Mais de R$ 100 milhões foram estornados, mas o prejuízo ficou em R$ 39 milhões.

O episódio deu origem à Operação Criptonita, deflagrada em abril pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apura a atuação de uma quadrilha suspeita de lavar dinheiro com criptoativos, que aparecem tanto como argumento para atrair vítimas quanto como meio de esconder valores.

O uso da criptomoeda nos golpes

O influenciador Gabriel Spalone, que tinha mais de 800 mil seguidores no Instagram, é apontado como pivô do caso. De acordo com o relato de Guilherme Coelho à polícia, Spalone ofereceu pagamento pela abertura de contas bancárias. Coelho afirmou ter recebido R$ 10 mil e aberto 11 contas de empresas de fachada.

Seis empresas das quais Coelho é sócio receberam transferências que totalizaram R$ 70 milhões no golpe investigado. Para a polícia, Coelho atuava como laranja, enquanto Spalone movimentava as contas. O advogado Eduardo Maurício não concedeu entrevista e afirmou nos autos que a atuação profissional do influenciador poderia torná-lo alvo de pessoas interessadas em usar estruturas financeiras para fins ilícitos.

Um levantamento da JusBrasil e da FGV identificou mais de 20 mil casos de golpes envolvendo ativos digitais entre janeiro de 2021 e agosto de 2025. Em 37% dos registros, a cripto foi usada como chamariz. Para Guilherme Klafke, professor da FGV Direito SP, o termo atrai vítimas por carregar uma aura de novidade.

Blockchain dificulta a identificação

As transações de criptoativos ficam registradas na blockchain, uma estrutura pública e permanente copiada em milhares de computadores. O sistema não tem um banco ou empresa central responsável pelo registro, e cada computador da rede mantém uma cópia idêntica.

Os usuários são identificados por sequências alfanuméricas, sem vinculação direta a nome ou CPF. As movimentações podem ser consultadas, mas a identidade dos responsáveis não aparece necessariamente. “É como se fosse uma novela acontecendo em tempo real, mas os atores estão de máscara”, disse o procurador Alexandre Senra, coordenador da área de criptoativos do Ministério Público Federal.

A identificação dos responsáveis depende de pistas, como uma chave associada às operações. Sem essa informação, os ativos podem passar por mixing-services, plataformas que misturam criptomoedas com transações aleatórias e programadas antes de encaminhá-las ao destinatário final, inclusive fora do Brasil.

Investigações e novas regras

Dados da Chainalysis indicam que endereços digitais associados a atividades ilegais receberam US$ 154 bilhões em 2025, cerca de 1% das transações de cripto no mundo. No Brasil, investigações envolveram desde ingressos falsos de R$ 690 para um show do Iron Maiden até um esquema ligado ao PCC e ao Hezbollah que movimentou R$ 61 bilhões.

Ataques também atingiram empresas e bancos. O BTG teve R$ 100 milhões desviados, enquanto a Sinqia registrou R$ 700 milhões roubados. Com a pressão sobre o setor, o Banco Central publicou novas resoluções desde o fim do ano passado, mas representantes do mercado consideram as medidas insuficientes.

As discussões regulatórias envolvem instituições de pagamento, corretoras de criptomoedas e provedores de tecnologia que dão acesso ao sistema financeiro. Essas empresas devem adotar procedimentos de compliance, incluindo a identificação dos clientes e o aviso às autoridades quando houver movimentações suspeitas. Os alertas são encaminhados ao Coaf, órgão vinculado ao Banco Central.

O Marco Legal dos Criptoativos foi aprovado em 2022. Em 2025, fintechs passaram a informar dados de clientes à Receita, e as exchanges foram obrigadas a declarar operações com criptoativos. O Banco Central também limitou a R$ 15 mil as transferências via Pix para 79 instituições que operavam sem autorização.

As operações declaradas por exchanges cresceram de 51,3 mil, em 2020, para 323,9 mil em 2025, aumento de 530%. Para o advogado Marcus Fonseca, a supervisão se concentra nos intermediários porque a blockchain é descentralizada. A presidente da ABcripto, Julia Rosin, e Cleverson Pereira, da OnilX, afirmam que a associação entre criptoativos e crimes não deve atribuir à tecnologia a responsabilidade pelos delitos.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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