Saúde

Como pesquisas e monitoramento acompanham espécies ameaçadas na Ásia e no Oriente Médio

Corais, tartarugas, saigas, flamingos, markhor e urial são estudados com tecnologia, proteção de habitats e trabalho de campo.

Como pesquisas e monitoramento acompanham espécies ameaçadas na Ásia e no Oriente Médio

A conservação de espécies ameaçadas combina monitoramento contínuo, inteligência artificial, câmeras remotas e ações diretas em diferentes ecossistemas. Os projetos acompanham animais marinhos nos Emirados Árabes Unidos, antílopes no Uzbequistão e espécies protegidas em áreas montanhosas e lacustres da Ásia Central.

Tartarugas e corais sob observação

Na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, o Sharjah Marine Science Research Centre recria em tanques condições que podem se tornar mais comuns nos oceanos, com águas mais quentes e ácidas e menor concentração de oxigênio. A iniciativa busca observar como os ecossistemas marinhos respondem a essas mudanças.

Stephen Widdicombe, diretor do centro, afirmou que os oceanos representam 90% do espaço habitável para a vida no planeta e sofrem pressões relacionadas às mudanças climáticas, à poluição e a outras atividades humanas.

O acompanhamento das tartarugas marinhas usa fotografias e inteligência artificial. Cada animal tem um padrão próprio de escamas na cabeça, semelhante a uma impressão digital. O biólogo marinho Jon Lapeyra fotografa semanalmente as tartarugas em cerca de um quilômetro de costa. Com a identificação individual, os pesquisadores conseguem registrar por onde cada animal passa e como se desloca.

Em seis meses, 95% das tartarugas fotografadas pessoalmente por Lapeyra eram juvenis. Ele considerou o dado um sinal encorajador para a população. Para o biólogo, a inteligência artificial foi uma mudança decisiva no projeto.

Os corais do golfo de Omã também estão no centro das pesquisas. Eles vivem em temperaturas que poderiam causar forte estresse em muitos recifes de outras regiões, o que permite estudar como esses ambientes podem reagir ao aquecimento dos oceanos. Henrik Stahl, responsável pela investigação e inovação no centro, disse que os resultados podem ajudar a compreender cenários futuros em outras partes do mundo.

Além da observação, os pesquisadores restauram recifes. Fragmentos pequenos são colocados em mesas de viveiro ancoradas no fundo do mar, onde podem crescer e formar colônias maiores.

Água e migração no Uzbequistão

No planalto de Ustyurt, o Santuário Paisagístico Complexo de Saygachiy ocupa mais de 600 000 hectares e protege parte da área de distribuição da saiga, antílope migrador presente em toda a Ásia Central.

O inspetor-chefe Ortiqbek Saydullayev afirmou que, no início do trabalho, as equipes encontravam apenas dois ou três animais, mas agora há uma população residente. Durante o inverno, quando a neve cobre a vegetação, o santuário fornece cereal e outra forragem. No verão, a água é bombeada para pontos de abeberamento. Segundo Saydullayev, existem 83 poços na área protegida.

As saigas podem cruzar fronteiras em busca de alimento e de temperaturas mais amenas. Por isso, a conservação depende tanto do santuário quanto das paisagens usadas durante a migração.

No Caracalpaquistão, o sistema lacustre de Sudochye mostra como a redução da água afeta a fauna. Antes ligado ao mar de Aral, o sistema se tornou independente à medida que o mar recuou e continua sendo uma escala para aves migradoras.

Aymuradov Tokhtamurad, especialista principal no Santuário Estatal de Vida Selvagem Sudochye-Akpetki, afirmou que o nível dos lagos diminui ano após ano. Com menos entrada de água, a salinidade aumenta, afetando a fauna e podendo levar os animais a deixar a região.

O santuário é apontado como o único local de nidificação de flamingos no Uzbequistão. Se a água continuar baixando, os lagos podem deixar de ser uma área de reprodução e funcionar principalmente como ponto de passagem durante a migração.

Censos e câmeras nas montanhas

Nas montanhas de Kugitang, no sul do Uzbequistão, a Reserva Natural Estatal de Surkhan protege o markhor, cabra selvagem de chifres em forma de saca-rolhas, e o urial de Bukhara, uma ovelha selvagem.

Criada em 1986, depois de uma queda acentuada nas populações das duas espécies, a reserva realiza censos de fauna duas vezes por ano. Em novembro de 2025, foram contados 981 markhor e 137 urial de Bukhara, segundo o diretor-adjunto Muhiddin Mamatqulov.

O monitoramento inclui 32 armadilhas fotográficas distribuídas pela reserva. Os equipamentos registram a fauna 24 horas por dia e ajudam a estudar espécies raras, comportamento, dinâmica populacional e migração.

O trabalho de campo continua necessário. O guarda Bobur Eshoniyev relatou que as equipes muitas vezes permanecem nas montanhas até o anoitecer, período em que muitos animais ficam mais ativos.

A população de markhor está crescendo, de acordo com responsáveis pela reserva, mas a caça furtiva, a pressão do gado e a fragmentação do habitat permanecem como ameaças. Os projetos mostram que a recuperação depende da combinação entre proteção direta, acompanhamento prolongado e preservação dos recursos naturais dos quais os animais dependem.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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