O Corinthians avalia uma proposta para separar a administração do futebol profissional da estrutura social do clube e permitir que torcedores comprem ações. O projeto, chamado Safiel, foi elaborado por apoiadores e prevê uma gestão com controle pulverizado, sem um acionista individual dominante.
A iniciativa surge em meio a um endividamento de quase 3 bilhões de reais, que consome centenas de milhões por ano apenas em juros. O modelo associativo tradicional é apontado pelos idealizadores como insuficiente para enfrentar a situação financeira do clube.
Como funcionaria a proposta
O plano estabelece limite de 1,8% dos votos por CPF. A administração seria conduzida por diretores profissionais e independentes, supervisionados por conselhos de administração e protegidos das disputas políticas do clube social.
A compra de ações daria aos torcedores direitos societários e participação em instâncias deliberativas, como o Comitê de Valorização do Torcedor e conselhos fiscais autônomos. Eduardo Perez Salusse, advogado e um dos porta-vozes da Safiel, afirmou: “A intenção é entregar o futebol do clube para seu verdadeiro dono: o torcedor”.
Carlos Teixeira, um dos idealizadores, disse que o Corinthians enfrenta “um ultimato financeiro e institucional” e explicou que a proposta não teria um controlador principal.
A ideia também busca superar os limites de campanhas de arrecadação. A vaquinha para a Arena do Corinthians, organizada pela Gaviões da Fiel em acordo com o clube e a Caixa Econômica Federal, tinha como meta levantar 720 milhões de reais por Pix para quitar o financiamento do estádio. As doações ultrapassaram 40 milhões de reais, mas ficaram abaixo do objetivo.
Referências e obstáculos
A Sociedade Anônima do Futebol foi criada por lei em 2021, mas a mudança para o formato empresarial não garante, por si só, a recuperação de um clube. José Francisco Manssur, advogado e coautor da Lei da SAF, defende auditorias profundas e métricas rígidas de governança antes, durante e depois da transformação.
A Safiel ainda depende da superação de resistências no conselho deliberativo e da adesão dos torcedores caso as ações sejam ofertadas. A proposta cita modelos internacionais de participação comunitária, como o Green Bay Packers, da NFL; a regra 50+1 na Alemanha; e a compra do Portsmouth FC pelo Pompey Supporters Trust, em 2013.
O projeto combina participação popular e instrumentos do mercado financeiro, mas mantém como condições a disciplina orçamentária, a transparência e o compliance rigoroso.








