Política

Presidente do STF terá de decidir como conduzir crise entre Mendonça e Moraes

Gisele Cittadino defende uma solução que retire os dois ministros da condução do conflito no Supremo Tribunal Federal.

Presidente do STF terá de decidir como conduzir crise entre Mendonça e Moraes

A condução da crise entre André Mendonça e Alexandre de Moraes está nas mãos do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Antes de decidir os próximos passos, ele deverá ouvir os ministros envolvidos e a Procuradoria-Geral da República.

A tensão aumentou depois que Mendonça divulgou, na terça-feira 1º, um relatório da Polícia Federal com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Dois dias depois, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade.

Para Gisele Cittadino, mestre em Direito pela UFSC, doutora em Ciência Política pelo IUPERJ e integrante do Grupo Prerrogativas, o conflito não pode ser resolvido pelo tradicional acordo de cavalheiros. Na avaliação dela, Mendonça agiu com o fígado ao tornar público o documento da Polícia Federal.

Cittadino considera a crise extraordinariamente grave e inédita por expor um confronto entre dois ministros do Supremo. Ela também afirma que o episódio ocorre a menos de um mês da eleição presidencial, com possíveis impactos sobre o processo eleitoral e a democracia.

A advogada questiona as circunstâncias envolvendo Moraes e o Banco Master. Segundo ela, a mulher do ministro firmou um contrato de serviços advocatícios com a instituição e houve reuniões, telefonemas e trocas de mensagens com Vorcaro. Cittadino ressalva, porém, que é necessário abrir inquérito, investigar e garantir o direito de defesa antes de qualquer conclusão.

Ela também menciona Flávio Bolsonaro, que, segundo sua avaliação, não teria vantagem política em explorar o caso porque está envolvido na mesma controvérsia. Cittadino afirma que ele foi gravado pedindo a Vorcaro 60 milhões de reais. As acusações, diz ela, precisam ser apuradas.

A integrante do Grupo Prerrogativas critica ainda o vazamento de informações sobre Fábio Luís, filho de Luiz Inácio Lula da Silva, e questiona por que Mendonça não teria levado adiante investigações relacionadas ao Banco Master, ao senador Ciro Nogueira e a remessas para Flávio Bolsonaro.

Fachin afirmou na sexta-feira 4: “Esta presidência seguirá a legislação e a Constituição.” O presidente do STF também disse que as instituições da República precisam ser preservadas nos momentos de maior tensão.

Na avaliação de Cittadino, o tribunal deveria buscar uma saída que prescindisse da presença de Moraes e Mendonça. Ela afirma que o regimento interno não permite que Fachin retire diretamente das mãos de um ministro um processo sob sua relatoria.

A advogada também declarou que, caso as denúncias sejam investigadas e comprovadas, os ministros não poderiam continuar no Supremo. Ela alertou ainda para a possibilidade de que um ministro, ao se defender em um processo de impeachment no Senado, envolva outro integrante da Corte.

O cenário é considerado por Cittadino especialmente sensível às vésperas das eleições de 2026. Para ela, a ameaça bolsonarista recuou, mas não foi derrotada, enquanto forças conservadoras continuam influentes no Congresso.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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