MOSCOU — O Kremlin informou que a reunião entre Vladimir Putin e os enviados dos Estados Unidos Ste Witkoff e Jared Kushner terminou sem indicação de avanço significativo para encerrar a guerra na Ucrânia. O encontro ocorreu no sábado e durou mais de três horas.
Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, afirmou que os representantes americanos levaram várias ideias sobre possíveis acordos, mas não detalhou o conteúdo. De acordo com ele, Putin sustentou que as forças russas obtêm progresso no campo de batalha, que Moscou continua confiante em alcançar seus objetivos e que um entendimento precisa abordar as causas fundamentais do conflito.
Temas econômicos na reunião
Além da guerra, as conversas incluíram questões econômicas e possíveis projetos entre Rússia e Estados Unidos. Ushakov classificou o encontro como útil para os dois lados. O enviado russo Kirill Dmitriev também descreveu a visita como importante para os esforços de paz em uma publicação na rede social X.
Witkoff e Kushner foram a Moscou em nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Eles não fizeram comentários depois da reunião, deixaram a cidade logo em seguida e tinham previsão de conversar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev, no domingo.
Declarações de Putin e situação militar
No início do encontro, Putin elogiou os esforços de Trump para buscar o fim do conflito. O presidente americano havia mencionado na sexta-feira uma nova proposta, sem apresentar detalhes. Putin afirmou que Trump seguia tentando contribuir para um acordo mesmo diante das dificuldades da situação.
O líder russo também prometeu garantir a segurança dos negociadores americanos. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que Putin havia determinado que as forças russas não atacassem Kiev por três dias durante a viagem dos enviados.
Nos 10 dias anteriores, a capital ucraniana havia sido atingida por mísseis e drones em ataques realizados dia e noite. Entre os alvos esteve a sede do serviço de segurança SBU, atingida na sexta-feira.
A Ucrânia, por sua vez, atacou refinarias, terminais de petróleo e armazéns da varejista online Wildberries, todos russos, ao longo do verão. Zelensky declarou que Kiev poderia deixar de atacar Moscou até segunda-feira.
Divergências sobre território
As posições dos dois países continuam distantes. Uma fonte próxima ao Kremlin afirmou que Putin segue determinado a conquistar mais território e que não haveria acordo sobre a linha de frente antes de a Rússia assegurar a parte restante da região de Donetsk. A fonte disse ainda acreditar que isso ocorreria até o final do ano.
A Ucrânia rejeita ceder territórios que defendeu e considera essa condição equivalente a uma rendição. O Kremlin também mantém a posição de que Kiev deveria entregar todo o território de quatro regiões reivindicadas pela Rússia e abandonar o plano de ingressar na Otan. Essa exigência, apresentada por Putin há dois anos, foi descrita na sexta-feira como inalterável.
Desde as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos em fevereiro, Rússia e Ucrânia ampliaram os ataques aéreos de longo alcance. Os combates no mar também se intensificaram, enquanto as linhas de frente permanecem praticamente estáticas.








