A localização de dois trabalhadores vivos dentro de um túnel reacendeu as buscas por sobreviventes das enchentes que atingiram áreas montanhosas do Nepal e da China. Sanjay Shah e Kabir Maharjan foram encontrados nesta sexta-feira (4), nove dias depois da tragédia, no projeto hidrelétrico Trishuli-3, no norte do Nepal.
O Ministério da Energia do Nepal informou que um dos homens foi retirado consciente, em uma maca. O segundo estava coberto de lama e conseguiu se manter de pé com o auxílio das equipes. Os dois foram transportados de helicóptero até Katmandu, onde receberam atendimento médico.
Buscas em túneis e usinas
Antes da retirada dos dois operários, os socorristas haviam recuperado apenas alguns corpos. As equipes avançaram entre lama e escombros em túneis de seis usinas hidrelétricas atingidas pelas enchentes. O gabinete do ministro da Energia estima que cerca de 900 trabalhadores ainda estejam desaparecidos. No complexo de Trishuli-3, aproximadamente uma centena de pessoas pode continuar presa.
O especialista australiano em resgates subterrâneos Arnold Dix relatou que as equipes ouviram uma resposta fraca no interior do túnel pouco antes do anúncio do resgate. A palavra nepalesa “hunchha” foi identificada como uma confirmação ou sinal de que os trabalhadores haviam respondido. Os socorristas disseram que estavam indo salvá-los.
Dezenas de equipes nepalesas e estrangeiras continuam envolvidas na operação, com especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul. As autoridades também atendem moradores afetados pela destruição de estradas, pontes, edifícios e estruturas de energia.
Impacto da catástrofe
O desastre ocorreu após o colapso de uma geleira e de parte de uma montanha no Himalaia. A queda provocou uma onda de água, gelo e detritos que atingiu áreas dos dois países. O balanço oficial mais recente registra ao menos 1.280 mortos e mais de 5 mil desaparecidos.
As enchentes provocaram prejuízos materiais de pelo menos US$ 2,56 bilhões no Nepal. As primeiras ações de reconstrução, planejadas para os próximos quatro meses, devem custar cerca de US$ 52,6 milhões. Entre as medidas estão a recuperação de estradas, a instalação de abrigos temporários e a retomada dos serviços de água e luz.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, chamou o episódio de “tsunami himalaio”. Para a coordenadora das agências da ONU em Katmandu, Lila Pieters Yahia, o acesso às áreas isoladas continua muito difícil. Em muitos pontos, o abastecimento depende de helicópteros, drones ou carregadores.
Famílias procuram desaparecidos
Em Bharatpur, familiares continuam buscando informações sobre pessoas desaparecidas. Kulmaya Tamang entregou uma amostra de sangue para comparação com o DNA de vítimas encontradas. Ela não tinha notícias do filho de 22 anos, que havia viajado para trabalhar perto da fronteira com o Tibete.
O hospital público de Bharatpur recebeu dezenas de corpos retirados dos rios e ficou sobrecarregado. O diretor da unidade, Bishwabandhu Bagale, afirmou que, em 20 anos de carreira, nunca havia visto a realização de 350 autópsias em poucos dias. Segundo ele, o calor e a umidade aceleraram a decomposição, levando as autoridades a optar por enterros temporários.








