Um estudo epidemiológico citado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica que os modelos tradicionais podem subestimar em até 93% a mortalidade relacionada aos incêndios florestais. A entidade afirma que a concentração de partículas finas, sozinha, não representa completamente os riscos da fumaça, considerada mais tóxica do que a emitida por automóveis, por exemplo.
As partículas PM2,5 têm diâmetro de até 2,5 micrômetros e conseguem penetrar profundamente nos pulmões, chegando à corrente sanguínea. Produzidas pela queima de vegetação, elas podem ser levadas pelos ventos para regiões distantes dos incêndios. A OMM acompanha a concentração desse poluente em 2025 e compara os dados com o período de 2003 a 2024.
Embora normas adotadas na Europa e na América do Norte tenham reduzido as emissões de PM2,5 da indústria e dos transportes, a exposição às partículas associadas aos incêndios aumentou, de acordo com a organização. Lorenzo Labrador, cientista da rede de Vigilância da Atmosfera da OMM, afirmou que “a qualidade do ar e a mudança climática não devem ser tratadas como temas separados”.
A agência também relaciona as ondas de calor ao avanço do ozônio troposférico, um poluente formado próximo à superfície. Temperaturas mais altas, atmosfera estagnada e radiação solar intensa favorecem sua formação. Estudos realizados no sudeste dos Estados Unidos, na Europa e na China demonstraram essa relação.
A exposição prolongada ao ozônio troposférico está associada ao aumento da mortalidade, principalmente por doenças respiratórias. A OMM alerta que a presença maior desse poluente pode causar dezenas de milhares de mortes adicionais.
Outros poluentes analisados
O boletim inclui ainda o carbono negro, conhecido como fuligem, e os microplásticos atmosféricos. A concentração e os efeitos dos microplásticos ainda são difíceis de medir com precisão. Já o carbono negro, emitido especialmente por incêndios florestais, pode se depositar sobre neve e gelo, reduzir a reflexão da luz solar e contribuir para o aquecimento global.
A OMM avalia que o agravamento das ondas de calor e a maior frequência de incêndios dificultarão o cumprimento das diretrizes da Organização Mundial da Saúde para a qualidade do ar.








