MAGDEBURGO — A polícia de Saxônia-Anhalt se prepara para possíveis distúrbios durante a eleição regional, com atenção concentrada em Magdeburgo, Halle, Dessau-Roßlau e Halberstadt. Documentos policiais indicam que uma vitória da AfD pode ser seguida por protestos de extrema esquerda e até por uma tentativa de invasão do parlamento regional. Se o resultado ficar abaixo do esperado, grupos de extrema direita podem se concentrar e ocupar prédios públicos ou sedes partidárias.
As forças de segurança mobilizaram equipes especiais de intervenção, especialistas em explosivos e unidades de defesa contra drones. Também foram convocados protestos para a noite eleitoral.
Disputa em cenário de alta incerteza
A AfD aparece com 41 % nas pesquisas para a eleição regional. A CDU registra 23 %, e A Esquerda, 11,5 %. Ao mesmo tempo, 26% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar, de acordo com uma pesquisa recente do Politbarometer, da ZDF.
O cientista político Werner Krause avaliou que os números podem estimular parte dos indecisos a votar na AfD para garantir um resultado histórico. Outros podem escolher um partido específico para impedir esse avanço.
No Alten Markt, em Magdeburgo, cerca de 20 integrantes e simpatizantes da AfD participaram de uma atividade de campanha. O grupo distribuiu panfletos, canetas e jornais e conversou com eleitores sobre o programa do partido. A formação espera ampliar seu apoio no estado e na Alemanha.
Ramona Vogel, integrante da AfD desde abril, vive há vários anos em Saxônia-Anhalt, embora seja originária de Uckermark, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Ela afirma apoiar o partido por convicção e defende medidas voltadas a aposentados e jovens.
Um integrante que está na AfD desde 2014 disse que pessoas que cometem crimes graves deveriam ser expulsas. Ele não quis divulgar o nome e afirmou que, caso o resultado favoreça outros partidos, poderia deixar o estado.
Propostas para segurança e educação
A campanha também recebeu apoiadores vindos da Renânia do Norte-Vestfália. Entre os políticos promovidos está Christian Mertens, deputado regional da AfD nascido em Magdeburgo. Ele tenta demonstrar proximidade com os eleitores e defender as propostas da legenda nos últimos dias antes da votação.
O programa prevê mudanças na segurança pública, na escolha de juízes e na política migratória. A AfD defende o início de uma ofensiva de expulsão e remigração. Mertens afirma que uma eventual administração do partido daria apoio político à polícia para ações consideradas necessárias.
Na educação, a legenda propõe criar turmas separadas para crianças refugiadas, inclusive para filhos de pessoas que não são obrigadas a deixar o país. O programa também prevê o fim da inclusão de estudantes com deficiência em escolas regulares, classificando essa política como uma experiência fracassada.
Atualmente, cerca de 5000 crianças com deficiência frequentam escolas regulares em Saxônia-Anhalt. Mertens defende que, no futuro, esses alunos estudem apenas em escolas de ensino especial. Conny Melzer, professora de educação inclusiva da Universidade de Leipzig, critica a proposta e cita a obrigação legal e os dados científicos favoráveis à educação inclusiva.
Mertens também rejeita uma coalizão com outros partidos. Segundo ele, qualquer acordo diluiria o programa da AfD, e a legenda deveria priorizar a oposição em vez de integrar um governo regional.
Reação de opositores
Bernhard Weitzel, professor aposentado de Colônia, percorre cidades de Saxônia-Anhalt há mais de 20 dias para contestar a AfD. Em Magdeburgo, apresentou uma placa com declarações de Alice Weidel, copresidente do partido, acompanhadas por sua própria análise.
Weitzel tenta conversar com simpatizantes e eleitores indecisos. Ele avalia que nem sempre consegue mudar imediatamente a intenção de voto, mas acredita que alguns passam a refletir sobre as posições da legenda. Para ele, a AfD representa uma ameaça ao país.
Entre 2021 e sua dissolução, Mertens presidiu a Junge Alternative Saxônia-Anhalt, organização juvenil da AfD classificada como comprovadamente extremista de direita pelo serviço estadual de proteção da Constituição. Mais recentemente, ele e o deputado regional Jan Moldenhauer foram relacionados a um suposto gabinete eleitoral que, segundo investigações, não era utilizado.








