O Itaú Unibanco foi escolhido pelo quinto ano consecutivo como a melhor empresa do setor financeiro no anuário Valor 1000. A instituição atribui o resultado à busca por maior fidelização dos clientes, à formação de uma carteira de crédito menos sujeita a oscilações e à disciplina na aplicação de capital.
A estratégia combina investimentos em tecnologia e pessoas com gestão de riscos. O presidente do banco, Milton Maluhy Filho, afirma que a instituição procura atuar como um banco universal, com presença relevante nos negócios em que opera e equilíbrio entre as operações de atacado, varejo e tesouraria.
Crédito e resultados
Em 2025, o lucro líquido recorrente do Itaú chegou a R$ 46,8 bilhões, crescimento de 13,1% sobre 2024. No segundo trimestre de 2026, o lucro foi de R$ 12,4 bilhões, alta de 1% ante o trimestre anterior e de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A carteira de crédito alcançou R$ 1,5 trilhão no ano passado, aumento de 6% em relação ao exercício anterior. No período, os índices de inadimplência ficaram nos melhores níveis históricos do banco. A instituição registrou queda de 0,1 ponto percentual nesse indicador, enquanto os atrasos no sistema financeiro nacional cresceram 4,2% em 2025.
Nos primeiros três meses de 2026, a carteira avançou 2,7% em relação ao trimestre anterior, com a inadimplência mantida nos melhores patamares históricos. Maluhy Filho citou o consignado CLT como uma solução de menor custo e afirmou que o Itaú lidera nesse produto.
A política de crédito passou a considerar com mais atenção os clientes e setores com maior risco de inadimplência. O presidente do banco resume a orientação: “Não é crescer por crescer, é crescer com qualidade e consistência”. O número de empresas que solicitaram recuperação judicial no segundo trimestre deste ano foi 20% maior que no mesmo período de 2025.
Transformação digital e riscos
Para melhorar a experiência dos clientes, o Itaú atualizou plataformas tecnológicas e reorganizou equipes, com o objetivo de acelerar as entregas. A instituição também lançou o produto “ia.i”, baseado em uma inteligência artificial própria que oferece respostas personalizadas para auxiliar decisões financeiras.
A gestão on-line dos riscos e a alocação de capital são apontadas pelo banco como elementos centrais para atravessar períodos de maior inadimplência ou desemprego. A intenção é construir uma carteira capaz de preservar a consistência dos resultados ao longo de diferentes ciclos econômicos.
Financiamento sustentável
A estratégia ESG do Itaú está organizada em três frentes: finanças sustentáveis, transição climática, diversidade e desenvolvimento. A meta de financiamento para setores de impacto positivo foi ampliada para R$ 1 trilhão até 2030. O objetivo anterior, de R$ 400 bilhões, foi atingido antes do prazo.
Em 2025, o banco destinou R$ 7,7 bilhões ao financiamento climático. Desse total, R$ 1,9 bilhão foi direcionado a veículos elétricos ou híbridos; R$ 4,1 bilhões, a créditos associados a metas de sustentabilidade; R$ 1,2 bilhão, a edifícios sustentáveis; R$ 380,4 milhões, ao Programa Reverte, realizado com a Syngenta; e R$ 241,8 milhões, a operações verdes.
As emissões financiadas pelo banco somaram 21,9 milhões de toneladas de carbono em 2025, queda de 2,2% em relação a 2024. A carteira considerada nessa medição cresceu 9,7% e correspondia a 62% do crédito total. Para Maluhy Filho, os dados indicam maior alinhamento das diretrizes do banco com uma economia de baixo carbono.








