As despesas do Senado com missões de proteção e escolta chegaram a aproximadamente R$ 7,4 milhões em 2026 até agosto. O montante reúne cerca de R$ 4 milhões em diárias e R$ 3,3 milhões em passagens aéreas, valor que já supera em mais de três vezes o total gasto durante todo o ano de 2022.
O aumento ocorre enquanto policiais do Senado acompanham Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, em compromissos pelo país. A Casa não informa quantos agentes participam da equipe, quais destinos foram atendidos nem quanto foi gasto especificamente com a segurança do senador. A campanha também não divulgou esses dados.
Mais pagamentos, sem alta relevante no valor médio
Os registros disponíveis indicam que a expansão das despesas está relacionada principalmente à quantidade de pagamentos. O valor médio das passagens permaneceu em torno de R$ 2,2 mil, enquanto o número de pagamentos entre janeiro e agosto subiu de 325, em 2022, para 1.518 neste ano.
Nas diárias, foram registrados 898 pagamentos até agosto, mais que o dobro dos 420 lançamentos feitos no mesmo período de 2025. O valor médio de cada pagamento permaneceu praticamente inalterado.
Em 2022, o Senado gastou R$ 2,33 milhões em missões de proteção, sendo R$ 1,2 milhão em diárias e R$ 1,13 milhão em passagens. O total foi de R$ 2,5 milhões em 2023, R$ 4,5 milhões em 2024 e R$ 5,7 milhões em 2025. Em 2026, até agosto, os gastos chegaram a R$ 7,4 milhões, com R$ 4 milhões em diárias e R$ 3,3 milhões em passagens.
Os nomes das autoridades, os destinos e os detalhes das viagens foram retirados dos registros públicos. O Senado justificou que a divulgação do efetivo, das avaliações de risco e dos procedimentos poderia colocar em perigo os agentes e a autoridade protegida. A Casa não esclareceu, porém, por que os valores permanecem sob sigilo.
Justificativas para a escolta
O Senado afirma que a candidatura não altera a condição de Flávio como senador. A proteção foi autorizada em 2019, depois de um pedido do parlamentar e de uma análise de risco. A Casa também diz que sua polícia pode proteger senadores no Brasil e no exterior por determinação da Presidência do Senado.
Policiais atribuem a maior parte do aumento das despesas à proteção de Flávio. Uma parcela menor estaria relacionada a outros senadores que disputam eleições e também recebem escolta, como Sergio Moro, candidato do PL ao governo do Paraná. Os dados públicos não permitem confirmar essa divisão.
A equipe monitora publicações em redes sociais e analisa mensagens que possam indicar riscos. Em agosto, um morador de Minas Gerais passou a ser investigado após publicar uma mensagem com dois emojis de facas em uma postagem sobre uma visita de Flávio a Juiz de Fora. A agenda foi cancelada por causa do mau tempo. Antes disso, a Justiça autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos e proibiu o investigado de se aproximar a menos de 500 metros do candidato.
Flávio recusou a proteção da Polícia Federal, embora um decreto autorize o serviço após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias, mediante solicitação da campanha. Ele afirmou que os agentes deveriam ser empregados em investigações e declarou não confiar no comando da corporação, chefiada por Andrei Rodrigues. “Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, escreveu.
A campanha do PL informou que Flávio é protegido exclusivamente pela Polícia do Senado. A equipe usa veículos blindados, armamento pesado e colete à prova de balas, além de contar com treinamento em inteligência.
Diferença entre Senado e Câmara
A Câmara adotou entendimento diferente. Hugo Motta, presidente da Casa, negou o pedido para que policiais legislativos acompanhassem Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.
A Câmara afirmou que a candidatura é distinta do exercício do mandato e, sozinha, não justifica o uso da Polícia Legislativa. Também apontou que a legislação atribui à Polícia Federal a segurança dos candidatos à Presidência.








