SÃO PAULO — A ausência de brigas entre torcidas em dias de jogos na cidade não eliminou a hostilidade entre grupos rivais. O ambiente na Neo Química Arena, durante a partida entre Corinthians e Santos no domingo, 30, evidenciou a permanência dessa tensão.
Após a vitória, Neymar Jr. entregou sua camisa a uma criança que torcia para o Corinthians. O gesto provocou reações de torcedores corintianos, que interpretaram o pedido como desrespeito por envolver um jogador do Santos. A família do menino precisou ser escoltada pela polícia para deixar o estádio.
A Gaviões da Fiel divulgou uma nota em que repudiou as hostilidades contra o jovem torcedor corintiano. “Somos totalmente contrários a qualquer ato de intimidação, constrangimento ou violência, especialmente quando envolve crianças”, afirmou a torcida organizada. A entidade também disse não admitir atitudes que exponham crianças a agressões físicas ou psicológicas.
Nas redes sociais, porém, torcedores do Corinthians apoiaram os corintianos que criticaram a atitude da criança. O episódio colocou em evidência o conflito de torcer simultaneamente pelo Corinthians e por Neymar, que atua pelo Santos.
A situação foi comparada à rivalidade entre as famílias Capuleto e Montecchio, de Romeu e Julieta, tragédia de William Shakespeare marcada pelo rancor entre os grupos. A referência também destacou a contradição de amar alguém associado a um inimigo.
Embora não tenha havido briga entre torcidas no dia do jogo, o episódio mostrou que a animosidade permanece nas manifestações de torcedores e nas reações ao comportamento de outros integrantes das arquibancadas.








