Uma pesquisa da Quaest aponta que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva provoca mais temor entre os jovens do que a vitória de Flávio Bolsonaro. Entre entrevistados de 16 a 34 anos, 51% afirmam que Lula não deveria ser reeleito, enquanto 37% dizem temer mais o retorno de um Bolsonaro ao poder.
A percepção muda conforme a faixa etária. Entre eleitores de 35 a 59 anos, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem associados ao medo na mesma proporção, com 43%. Já entre as pessoas com 60 anos ou mais, o retorno da família Bolsonaro é visto com maior temor.
“O que chama atenção aqui é a diferença geracional”, escreveu Felipe Nunes, diretor da Quaest, ao comentar os resultados. Para ele, os jovens demonstram cada vez mais preocupação com a continuidade do governo Lula, enquanto os eleitores com 60 anos ou mais temem mais a volta da família Bolsonaro ao poder.
Aprovação entre os jovens
A desaprovação de Lula entre os eleitores jovens avançou nove pontos percentuais. O índice passou de 46% em agosto para 55% em setembro. No mesmo período, a aprovação caiu de 47% para 38%.
Nunes afirmou que o nível de aprovação de um governo é um dos principais indicadores de seu desempenho eleitoral e avaliou que, com a desaprovação nesse patamar, as chances de reeleição de Lula ficam abaixo de 50%.
O diretor da Quaest também relacionou o desempenho do governo ao endividamento dos brasileiros. Segundo ele, o período de piora da aprovação coincidiu com o intervalo de julho a setembro, quando aumentaram as reclamações sobre o excesso de dívidas.
O comportamento observado entre os jovens brasileiros acompanha uma tendência identificada em outros continentes. Nas eleições para o Parlamento Europeu de 2024, partidos de direita ampliaram a presença entre os mais jovens, com avanço especialmente forte entre homens da Geração Z. Entre os fatores associados ao fenômeno estão a insegurança econômica, o custo de vida, a desconfiança das instituições tradicionais e a influência das redes sociais.








